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domingo, novembro 23

Aprender outra língua em qualquer fase da vida aprimora desempenho mental


É cada vez mais comum pessoas acima dos 50 anos se matricularem em cursos de línguas no exterior. No primeiro semestre deste ano a Agência Central de Intercâmbio (CI) enviou cerca de 100 pessoas da terceira idade para outros países para fazerem cursos de línguas.

A expectativa é que aumente cada vez mais esse número. Isso porque as pessoas passaram a planejar suas viagens buscando cursos de línguas; seja pela primeira vez ou para se reciclar. 

Entre as línguas mais escolhidas pelos idosos estão o inglês, o espanhol e o italiano. Os cursos são feitos em turmas com a mesma idade e com profissional especializado, com aulas aliadas às atividades culturais, incluindo passeios turísticos, gastronômicos, etc. Existem também opções de cursos específicos para o público da terceira idade. A duração varia de 6 meses há 1 ano e as hospedagens são em casa de família.

Este programa é uma oportunidade da pessoa aprender uma nova língua e conhecer outro país. Fazer intercâmbio cultural não é uma opção somente para jovens. Com o aumento da população longeva, cada vez mais surgirão programas, atividades que agradem esse segmento, proporcionando-lhes boa qualidade de vida. 

Fatores sociais e educacionais fazem a diferença no aparecimento de déficits cognitivos na velhice, bem como no surgimento de depressão em idosos. Estudos mostram que é importante a atividade mental complexa, o engajamento com o lazer, a prática da leitura, de exercícios físicos e manter uma boa dieta para alcançar uma velhice bem-sucedida e se proteger de fatores de riscos cognitivos na velhice. 

A linguagem é função sócio-cognitiva, uma atividade mental que nos possibilita interagir, apreender a realidade, entender o mundo, decodificar símbolos, compartilhar sentimentos e desejos, fazer associações lógicas, interpretar, entender, inferir um significado. A linguagem é a expressão do ser. Dessa forma, o domínio da linguagem causa efeitos transformadores sobre a mente humana. 

Aprender uma nova língua no seu contexto natural é muito importante. Aprende melhor uma língua quem mergulha na sua prática social. Para aprender uma língua é preciso que se doe para aquela língua. Incorporar o habitus linguístico da comunidade que fala aquela língua, as práticas discursivas. 

Não é possível aprender uma língua se distanciando do seu contexto e tendo a postura de criticá-la. É preciso aceitar as categorias da língua como elas são, acolher tudo à medida que você for aprendendo. Por isso o fator idade não é o principal, tudo depende de como o estudante vai assumir a postura de aprendiz daquela língua. É importante também que sempre que possível após retornar do intercâmbio, fazer uma revisão de tudo que aprendeu.

A identificação do processamento da linguagem em diversos níveis e as modificações nas redes neurais levou os pesquisadores da área das neurociências cognitivas a estenderem as investigações para os casos de pessoas idosas que falam mais de uma língua. O aprendizado da linguagem oral e da linguagem escrita introduz no sistema nervoso estratégias organizativas específicas. Pessoas bilíngues apresentam melhores desempenhos numa variedade de tarefas que envolvem atenção e memória.

Estudo: bilinguismo

Um estudo que analisou o efeito do bilinguismo ao longo da vida na manutenção das funções cognitivas e na proteção contra sintomas de demência em 228 pessoas idosas, sendo 51% bilíngues, na Universidade de Toronto, no Canadá em 2007, publicado na Neuropsychology, constatou que as pessoas bilíngues apresentaram melhores desempenhos em testes mentais mesmo tendo as mesmas queixas cognitivas. Esses resultados mostraram que pessoas bilíngues têm mais reservas cognitivas, isso inclui um aumento de conexões neurais e aumento do vocabulário, e uma maior reorganização funcional da atividade cerebral, sendo um fator protetor de sintomas de demência.

O próprio processo de escolarização, aquisição da leitura e da escrita, o uso continuo da linguagem no cotidiano, já estimula outras competências. E o aprendizado de nova língua, da cultura dessa língua, e a manutenção da mente ativa ao longo da vida torna-se fundamental. Aprender outra língua além de uma necessidade pode ser muito prazeroso e trazer benefícios positivos.



terça-feira, fevereiro 11

Simulador avalia conduta de motoristas idosos no trânsito do RS


Dos quatro milhões de motoristas que circulam pelas estradas do Rio Grande do Sul 700 mil tem mais de 60 anos de idade, número 30% maior do que sete anos atrás, como mostra a reportagem do Teledomingo, da RBS TV . Para avaliar as condições desses motoristas da terceira idade e facilitar a decisão sobre se um idoso pode ou não continuar dirigindo, um estudo vai usar um simulador que reproduz virtualmente as condições reais de circulação das ruas de uma cidade.

Apesar de se sentir jovem, pela legislação, Newton Boanova, de 60 anos, já é considerado um idoso. Trabalhando como motorista de táxi, ele passa grande parte do dia dirigindo e tem uma estratégia pra adiar os efeitos do envelhecimento. “Além de dirigir o táxi, me mantenho muito ativo fisicamente e acho que assim consigo não sentir diferença nenhuma”, afirma o taxista.

O aposentado Arlindo Durks já completou 70 anos e também se sente seguro na direção. “Evidentemente que a gente não tem aquela perspicácia, aquela atividade rápida que tinha aos 20 anos, mas agora eu considero que tenho compensação com a maneira mais tranquila, mais pacífica, mais solidária de dirigir o veículo”, explica.

Arlindo é um dos 70 motoristas que vão participar do estudo do Instituto de Geriatria da PUC-RS, a partir de março. Os primeiros testes vão ser aplicados em um simulador que reproduz situações cotidianas do trânsito.

“O simulador cria um ambiente virtual no qual o motorista pode dirigir um carro por meio de uma direção real. Ele vai passear por uma cidade que vai ter os mesmos elementos de uma cidade real. Vai haver carros, sinaleiras, eventualmente vai haver acidentes, vai ter uma rua molhada que exige mais cuidado, ambiente de chuva, tudo isso ele vê na tela de um computador”, explica Marcio Pinho, professor da Faculdade de Informática da PUC-RS.

O objetivo é contar com a parceria dos órgãos de trânsito na avaliação dos resultados do simulador. O estudo inclui também testes clínicos para avaliar, por exemplo, a memória e a atenção. A neuropsicóloga Adriana Vasques, está à frente do projeto, diz que a pesquisa quer criar um protocolo para avaliação.

“Nossa ideia é criar um protocolo com o qual a gente consiga saber que testes avaliam melhor essa capacidade de condução. É muito difícil tomar essa decisão na clínica e saber se devemos estimular que esse idoso continue dirigindo ou aconselhá-lo a parar. Hoje, não há uma forma de avaliar isso e na renovação da carteira, que é feita de três em três anos depois dos 65 anos, essa avaliação é bem resumida, se verifica a questão visual, se faz algumas perguntas para o idoso, mas tem de dado pouca atenção para as habilidades cognitivas, que são muito importantes para manter a condução segura”, aponta Adriana.

Para o médico geriatra Rodolfo Schneider, é fundamental que os idosos passem por uma avaliação médica periódica para identificar doenças que possam interferir na direção, como as que causam alterações visuais, como a catarata, alterações neurológicas, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), e estados de demência, como o Alzheimer, além de diabetes e hipertensão não tratada. O médico alerta também para situações que podem indicar um risco futuro.

“Pequenas colisões em casa, por exemplo, ao retirar o carro da garagem, ou envolvimentos maiores com situações no trânsito já podem chamar a atenção de que aquele idoso pode estar tendo uma dificuldade maior pra dirigir. Algumas mudanças podem acontecer de uma forma bastante sutil, o próprio idoso em um primeiro momento pode não se dar conta. A família também começa a perceber, por exemplo, mudanças no comportamento, como esquecimento, lapsos de memória e irritabilidade”, diz o geriatra.

Ele explica ainda que é importante que cada caso seja avaliado individualmente. “Tem muito idoso com idade avançada que nos surpreende fazendo atividades normais, trabalhando, dirigindo sem impacto, enquanto outras pessoas com muito menos idade já se encontram com alguns comprometimentos. Acho que a idade em si não seria um definidor, não deveria ter uma idade limite para dirigir, o que deveria ser avaliado é realmente a condição de cada motorista”, finaliza.

Paz!