Paz e Amor!

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segunda-feira, abril 7

Renegado


A solidão me maltrata
Hoje vivo no abandono 
Vítima de família ingrata 
Que me faz de cão sem dono 

Num asilo fui jogado 
Hoje vivo pesaroso 
Estar num canto renegado 
É tão triste para o idoso 

Hoje sofrendo sozinho 
Só preciso do carinho 
De quem sempre dei o meu...

A quem tratei com meiguice 
Hoje na minha velhice 
Simplesmente me esqueceu... 


quinta-feira, dezembro 5

Mensagem Maternal


Quando a noite abre o manto, minha filha,
Na fluidez de veludo que há no vento,
Venho sempre afagar-te o pensamento,
Ao luar da saudade que rebrilha...

- “Não chores, minha doce maravilha!”
Repito, enquanto, em preces, acalento
Teu peito opresso pelo sofrimento,
Ante o céu constelado de escumilha!...

- “Minha princesa” _ exclamo _ “filha amada,
Não te firam as pedras que há na estrada,
Guarda a tua bondade peregrina!...

E, ouvindo a minha voz amas e esperas
As suaves e santas primaveras
Do Lar Eterno, na União Divina.

"Soneto dedicado à Sra. Lady Santos, pelo Espírito de sua Mãezinha através do médium Francisco Candido Xavier".

quarta-feira, julho 20

20 de Julho: Dia Internacional da Amizade!


Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Vinicius de Moraes

abçs,

quinta-feira, janeiro 13

A Intrusa



A Intrusa


Teimava em me seguir, eu bem que percebia;
Tinha gestos gentis, simpática (não bela).
Não queria assustar-me, andava com cautela,
diferente do andar da grande maioria.

Eu sempre recusei fazer-lhe companhia,
embora esta mulher me fosse sentinela
em horas de descanso. Eu não gostava dela
pela insistência atroz com que me perseguia.

Seu nome? Não sabia. Apelidei-a Intrusa.
Eu lhe fechava a porta, exibindo a recusa
em comigo a reter na partilha do lar.

No espelho, certo dia, atrás de mim postou-se...
Quis irritar-me? Sim. Mas disse com voz doce:
— Eu me chamo Velhice e vim para ficar.


Miguel Russowsky

bjs,soninha


terça-feira, dezembro 14

TUA PELE SERENA




TUA PELE SERENA


Há, no ar ,u'a metamorfose lírica!
Ou serão os menestréis que cantam
A canção do amor, empírica?!
Versos que no céu despontam...

E marcam o chão por onde pisam
Regem o compasso em ouvidos atentos
Na mente, por onde deslizam,
Desfazem mágoas e lamentos

Por ser tão forte a sua presença
Nos dá a certeza de que a vida
Dom precioso, alva falena,

Não ultrapassa os limites da crença
De que a doce e suave guarida
S'encontra no calor, da tua pele serena.


bjs,soninha


domingo, agosto 15

À SUA VELHICE

 
À Sua Velhice

Meu corpo assaz tem sido espicaçado
Com buídos punhais, por mão da Morte,
Que arrebatado tem, da minha corte,
Grande rancho de quanto tenho amado.

Não me poupa a cruel no triste estado
Do caduco viver da minha Sorte:
Quando era vigoroso, moço forte,
Suportava com mais valor meu Fado.

Então as minhas ásperas feridas
Não tinham para mim tardias curas,
Porque o Tempo receitas tem, sabidas.

Mas velho e c'o vapor das sepulturas,
Como posso curar as desabridas
Chagas, das minhas novas amarguras?


Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos'


Francisco Joaquim Bingre, poeta português arcádico e pré-romântico português, nasceu em Canelas, Estarreja no dia 9 de Julho de 1763, filho de Manuel Fernandes natural da mesma freguesia e de Ana Maria Clara Hebinger, natural de Viena de Áustria. Famoso em vida na sociedade portuguesa, veio a ser quase olvidado nos séculos seguintes.


bjs,soninha

sábado, agosto 7

VELHINHA


Velhinha 
 

Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente em mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
“Já ela é velha! Como o tempo passa! ...”

Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio de oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até o fim!

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente ...
Já murmuro orações ... falo sozinha ...

E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos ...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

bjs,soninha

quinta-feira, agosto 5

SAUDADE VAZIA


 SAUDADE VAZIA


Desde muito chorava o belo filho morto,
Num desastre de mar em suntuoso falucho…
Triste, a fidalga anciã vivia em pranto e luxo,
No esplêndido solar ao pé de velho porto…
                       
Certo dia, a criada, em rijo desconforto,
Dá-lhe um pobre enjeitado, um magro pequerrucho.
Ela clama: “Não quero! Isto é morcego e bruxo,
Tem na face de monstro o nariz feio e torto!…  ”

E a dama solitária, em angústia insofrida,
Atravessou a morte e acordou noutra vida,
Buscando, ansiosa e rude, a afeição do passado…

Debalde soluçou, na lição do destino…
Ao desprezar na Terra o infeliz pequenino,
Recusara, orgulhosa, o filho reencarnado. 

Jorge Faleiros


(Da obra “Poetas Redivivos”, psicografia de Chico Xavier, Editora FEB – Federação Espírita Brasileira)

bjs,soninha

terça-feira, agosto 3

PIOR VELHICE


Pior Velhice  

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

A Vida, que ao nascer, enfeita e touca
De alvas rosas a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!

E dizem que sou nova ... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova ... outrora ...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

bjs,soninha

sábado, julho 31

VELHICE


 
Velhice  


Água do rio Letes, onde passas?
Venha a mim o teu curso benfazejo
Que sepulta alegrias ou desgraças
No mesmo esquecimento sem desejo.

Quero beber-te por contínuas taças...
E às horas do passado que revejo,
Pedir-te que as afogues e desfaças
Na carícia e na esmola do teu beijo!

Quem de si nunca esteve satisfeito
E com novas empresas só procura
Corrigir seu engano ou seu defeito,

Não pode recordar sem amargura
Que a mais nenhum esforço tem direito
Na ruína presente e na futura... 


Alberto de Oliveira, in "Novos Sonetos"
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bjs,soninha

Paz!