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quarta-feira, abril 15

Quando o entardecer chega .... o envelhecimento ainda surpreende muitos



No cotidiano da vida, no dia-a-dia, vemos as mais diversas formas de discriminação. O envelhecimento é talvez uma das mais concorridas. Contudo, hoje, entidades estão lutando pelos direitos dos cidadãos idosos, providenciando o cumprimento de leis existentes, e por medidas mais eficazes que inibam e coibam atitudes de maus tratos, deseducadas e a falta de urbanidade do qual o idoso é alvo frágil e fácil.
Idade e cultura


Costuma-se dizer que a idade determinante da velhice é 65 anos, quando se encerra a fase economicamente ativa da pessoa e começa a aposentadoria. Contudo a Organização Mundial da Saúde, através de estudo e levantamento estatístico mundial, elevou essa idade para 75 anos, devido ao aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida.

Em muitas culturas e civilizações, principalmente as orientais, o velho, o idoso é visto com respeito e veneração, representando uma fonte de experiência, do valioso saber acumulado ao longo dos anos, da prudência e da reflexão. Enquanto em outras, o idoso representa "o velho", "o ultrapassado" e "a falência múltipla do potencial do ser humano".


As mudanças

A velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas.

Há duas formas básicas de ocorrer essas mudanças, de maneira consciente e tranquila ou ser sentida com grande intensidade, tudo dependerá da relação da pessoa com a velhice. Os sinais característicos dessas mudanças são nítidos por conta da ação do tempo e social. Vejamos abaixo alguma delas:

Mudanças Físicas: gradual e progressivas: aparecimento de rugas e progressiva perda da elasticidade e viço da pele; diminuição da força muscular, da agilidade e da mobilidade das articulações; aparição de cabelos brancos e perda dos cabelos entre os indivíduos do sexo masculino; redução da acuidade sensorial, da capacidade auditiva e visual; distúrbios do sistema respiratório, circulatório; alteração da memória e outras.

Mudanças Psicossociais: modificações afetivas e cognitivas: efeitos fisiológicos do envelhecimento; consciência da aproximação do fim da vida; suspensão da atividade profissional por aposentadoria: sensação de inutilidade; solidão; afastamento de pessoas de outras faixas etárias; segregação familiar; dificuldade econômica; declínio no prestígio social, experiências e de valores e outras.

Mudanças Funcionais: necessidade cotidiana de ajuda para desempenhar as atividades básicas.


Mudanças Sócio-econômico: acontecem quando a pessoa se aposenta.


Uma geração só vai se preocupar com o envelhecer quando sente que esta nova fase da vida está se aproximando, produzindo sensações de desconforto, ansiedade, temores e medos fantasiosos. Freqüentemente essa ansiedade gera a falta de motivação levando-o a uma depressão, repercutindo organicamente e acelerando o envelhecimento ou provocando distúrbios e dificuldades de adaptação a um novo contexto social.

Estudos recentes comprovam que o avanço da idade não determina a deterioração da inteligência, pois ela está associada à educação, ao padrão de vida, a vitalidade física, mental e emocional. Também é preciso perder o preconceito sobre a idade cronológica das pessoas. Pode-se afirmar que há jovens com 20, 40 ou 90 anos de idade, tudo dependerá da postura e do interesse de cada um.


A sociedade e o mercado de trabalho

Vale fazer um alerta importante, só na América do Sul estima-se que no início deste novo milênio mais de 30 milhões de pessoas estarão com idade acima de 60 anos. No Brasil, só o Estado de São Paulo representará quase três milhões de pessoas ou cerca de 8% dessa população. O aumento desta população tende a expandir ainda mais nas próximas décadas, o que justifica o interesse e a preocupação da sociedade e do governo em criar ações para tratar questões ligadas à velhice.


Hoje todas as empresas precisam vencer os desafios da competitividade e da globalização do mercado comercial. Assim algumas empresas, vêem como saída para esse problema o sangue novo, dispensando os mais velhos de casa e de idade e contratando pessoas mais jovem, mais dinâmicas que consigam alavancar a empresa. Será que essa atitude é correta? Talvez não, dependendo do número de colaboradores que estejam nessa condição a empresa poderá perder seu know-how, sua identidade e empregados que conhecem detalhes do serviço. Além do que essa forma de dispensa poderá ter consequências diretas na perda de sua produtividade e motivação de mão-de-obra, pois quem ficou terá receio que no amanhã isso também poderá acontecer com ele.


Outras empresas para enfrentar os mesmos desafios, utilizam-se da reengenharia de cultura empresarial fazendo um planejamento para os próximos dez anos, assim, se elas tiverem colaboradores alcançando a aposentadoria nesse período poderão programar a saída desses e treinar os mais novos. Gerando uma nova equipe já entrosada, motivada e preparada para multiplicar essa cultura à próxima geração. Uma empresa com pessoas novas e dinâmicas mesclada com pessoas mais maduras, conscientes e experientes, com toda a certeza terá resultados de mercado muito melhores.


Agora, há momentos que não tem outro jeito. É preciso cortar pessoas, os escolhidos serão os mais velhos, não por preconceito mas por necessidade. Então é necessário prepará-los para essa nova realidade, amparando-os, com programas sociais e profissionais, para que aprendam e façam sua escolha de qual o melhor caminho a seguir - se vai procurar outro emprego, dar informações de como fazer, se vai abrir um negócio mostrar como proceder e no caso de simplesmente se aposentar, mostrar como levar uma vida com qualidade. Certamente toda empresa que agir desta forma terá um bom retorno desse investimento, a repercussão positiva na equipe e garantido que as suas metas e objetivos sejam atingidos face à motivação de todos.


Talvez uma das melhores saídas para esse problema seja o Programa de Preparação para a Aposentadoria - PPA, que possui caráter informativo e formativo possibilitando que essas pessoas realizar reflexões, tomar consciência do processo de envelhecimento e quais as atitudes a serem tomadas diante das alterações relacionadas aos aspectos econômicos, sociais e familiares no momento da aposentadoria. As empresas que estão oferecendo o PPA aos seus colaboradores estão colhendo como vantagens nessa relação: a renovação do seu quadro; exercício da responsabilidade social na comunidade; aumento no nível da produtividade; repasse de know-how; motivação e a participação nas metas; imagem positiva da empresa no mercado e a elevação da qualidade de vida no trabalho.


Aposentadoria, trabalho e capacidade


Toda aposentadoria tem suas implicações negativas. É preciso rever essa atitude de aposentar seres inteligentes e capazes de dar muito mais de si pelo mercado de trabalho. A alta competitividade de mercado e o preconceito pela idade tem sido causas frequentes para a dispensa dessa força de trabalho mais experiente, a qual poderia ser recolocada e bem aproveitada.

Recentemente uma empresa publicou uma pesquisa sobre tendências na área de empregos e apresentou uma novidade: o número de vagas com preferência para candidatos maduros, com mais de 40 anos, aumentou mais de 15% nos dois últimos meses de 1999. Os candidatos maduros estão melhor preparados e as empresas descobriram que o preconceito estava provocando a perda de oportunidades para a contratação de talentos já comprovados.

Quando um profissional deixa a empresa e o ambiente em que era respeitado, ele passa a enfrentar o preconceito em relação à idade. Como consequência ele primeiro se revolta, depois busca novas forças e motivações para enfrentar as dificuldades. Com isso ele aprende, desenvolve novas competências e surpreende o mercado de trabalho.


Discriminação

Enfim, o envelhecimento não pode ser visto pela sociedade, família e empregador sob os olhos da discriminação. Não só as pessoas envelhecem, as gerações também envelhecem, sem dar conta dos segundos, minutos, dias, semanas, meses e anos. O envelhecimento irá alcançar com toda certeza a todos, é preciso agir de forma concreta, segura e rápida contribuindo com ações eficazes para resguardar uma etapa da vida humana com maior dignidade, qualidade e respeito. 

Jovem, ao encontrar uma geração mais velha, pense bem nisto antes de mais nada:

" Ele sou eu amanhã. 
Ele, hoje, representa o respeito que quero 
ter também, amanhã . "


Autor: Luciano Spina França 

segunda-feira, dezembro 29

Tenho Uma Saudade Tão Braba


Tenho uma saudade tão braba 
Da ilha onde já não moro, 
Que em velho só bebo a baba 
Do pouco pranto que choro. 

Os meus parentes, com dó, 
Bem que me querem levar, 
Mas talvez que nem meu pó 
Mereça a Deus lá ficar. 

Enfim, só Nosso Senhor 
Há-de decidir se posso 
Morrer lá com esta dor, 
A meio de um Padre Nosso. 

Quando se diz «Seja feita» 
Eu sentirei na garganta 
A mão da Morte, direita 
A este peito, que ainda canta. 


Vitorino Nemésio, in "Caderno de Caligraphia 
e outros Poemas a Marga"

terça-feira, junho 18

Os Estereótipos da Velhice


Comecemos fazendo uma recapitulação do que seja "estereótipo":
" ESTEREÓTIPO é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação. São usados principalmente para definir e limitar pessoas ou "GRUPO DE PESSOAS" na sociedade. Sua aceitação é ampla e culturalmente difundida no ocidente sendo um grande motivador de preconceito e discriminação. 
Conceito infundado sobre um determinado GRUPO SOCIAL, atribuindo a todos os seres desse grupo uma característica, frequentemente depreciativa; modelo irrefletido, imagem preconcebida e sem fundamento."
De posse desta pequena revisão eu lanço uma ampla pergunta: 

Quem nunca escutou alguém falar: - velho é assim mesmo;não gosta de tomar banho; é de uma teima horrível, eu nunca vi alguém mais teimoso é pior que mula quando empaca; OU: - é tão difícil de conversar com ele( a), também nesta idade....; OU: - eu nunca vi pessoa mais esquecida, não sei mais o que fazer; OU: - nada agrada a essa criatura....e por aí...??!!

Semana passada escutei alguém falar: " Sabe como é né, conversar com gente de mais idade é meio difícil ". 

A resposta brincou na ponta da minha língua, me cutucou o corpo inteiro, ferveu meu sangue mas eu me calei porque não queria gerar polêmica no ambiente de trabalho. 

Conversar com o idoso ou velho como queiram chamar, não é difícil não gente nova, o que falta em vocês é paciência para acompanhar a sua linha de raciocínio que vocês "julgam" ultrapassada e que, se escutassem, talvez aprendessem com ele muitas coisas úteis às suas vidas.

O jovem que para e conversa com um velho, transpõe barreiras de tempo e espaço se dispondo a aprender e a ensinar impedindo que o muro de preconceitos contra o idoso se eleve cada vez mais. Quando o jovem julga que é difícil falar com o idoso ele está deixando cair a máscara mostrando a sua verdadeira face preconceituosa que nele se afixou com a ajuda dos "estereótipos" criados e imputados ao grupo de idosos há muitas e muitas gerações.

Esta de que velho é chato, velho não gosta de tomar banho, velho não se lembra de mais nada, velho não tem uma meta na vida, velho é rabugento, velho é uma pessoa difícil com quem se conversar, velho é isso, velho é aquilo...são estereótipos criados para não terem que se aproximar dos idosos, exercitarem a paciência, o amor e a solidariedade. Sobretudo a paciência que, normalmente, não é uma virtude da pessoa mais jovem.

Claro que não é um fenômeno generalizado senão o que seriam dos idosos? Refiro-me aos que assim pensam, falam e agem.

Portanto, aqueles que se baseiam em estereótipos firmados na sociedade desde que o mundo é mundo, saiam dos seus casulos e se disponham a conhecer de perto as pessoas mais idosas. Existem idosos agradabilíssimos, fontes de conhecimento , cultura e alegria que poderão ajudar muitos jovens que parecem velhos doentes. Como também existem os idosos que são um verdadeiro poço de lamentações, a estes, dispensem-lhes jovialidade, carinho, atenção, escutando as suas "queixas" e orientando-os com suavidade o caminho a trilhar a fim de amenizá-las.

Quando Deus nos criou iguais perante Ele e a Vida, passando todos pelo mesmo ciclo do berço ao túmulo, foi para que nos ajudássemos mutuamente e que as nossas lições de superação se tornassem úteis em qualquer época da nossa existência, não apenas a nós mesmos como também ao nosso semelhante. 

Na Bíblia, que é o livro religioso mais conhecido, creio eu, há várias citações sobre o valor dos idosos, no entanto muitas pessoas que a têm como livro de cabeceira agem como se nunca as tivessem lido ou se as leram não entenderam o seu significado.

Vejamos algumas delas: 

"Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos, temam o seu Deus. Eu sou o Senhor. Levítico 19:32."

"Eis porque não perdemos coragem e mesmo se, em nós, o homem exterior caminha para sua ruína, o homem interior se renova a cada dia...Nosso objetivo não é o que se vê mas o que não se vê; o que se vê é provisório, mas o que não se vê é eterno,2 Cor 4,16-18."

"Mesmo na velhice darão fruto,permanecerão viçosos e verdejantes, Salmos 92:14."

"Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele que os susterá. Eu os fiz e eu os levarei; eu os sustentarei e eu os salvarei."Isaías 46:4

"Velhos e velhas se sentarão ainda nas praças de Jerusalém’ cada um com o bastão na mão, tão avançada será sua idade" (Cf. Zc 8,4). " ...vossos velhos terão sonhos; vossos jovens terão visões..." (Jl 2,28).

"Quando eras jovem, tu mesmo te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te conduzirá aonde não queres." (Jo 21,18)

Diante de tantas citações só nos resta concluir que todos somos gemas raras de precioso valor diante de Deus, velhos e não velhos e que devemos nos amar, nos respeitar e nos ajudar para que sua Lei de Amor se faça cumprir na nossa vida.

soninha

Paz!