Paz e Amor!

Paz e Amor!
Sol...Calor!
Mostrando postagens com marcador HIV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HIV. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, agosto 1

Especialistas alertam que casos de idosos infectados pelo HIV têm aumentado no Brasil


A falta de abertura para falar sobre a sexualidade e o excesso de confiança no parceiro estão entre as razões do problema.
“No tempo deles, ninguém vivia até os 60 anos. Hoje, vamos até 80, 90, e o idoso quer aproveitar. Está tudo muito mais fácil do que quando as mulheres tinham que ser muito reservadas, por exemplo. E outra coisa: acham que não pega em velho. Pensam que, se pegar, já está morrendo mesmo. Mas não é uma morte fácil.” O relato é de Jussara Santos, 63 anos, presidente da Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista (Fale), entidade que abriga soropositivos no Distrito Federal. Nos últimos 10 anos, ela percebeu o início de uma mudança na faixa etária das pessoas que buscam assistência na comunidade fundada há mais de 20 em uma chácara do Recanto das Emas. Se no início eram muitos jovens homossexuais, agora surgem idosos. “Não sei dizer exatamente o que mudou. É como se, de repente, eles se percebessem livres e se esquecessem de se cuidar”, arrisca.

Um fato: muitas coisas mudaram entre as experiências vividas pelos jovens de 20 e poucos anos na década de 1970 e a realidade de um idoso aos 65 em 2014. Nesse período, turbulentos e polêmicos episódios alteraram permanentemente o que era esperado por aquele setentista como um “envelhecimento tradicional”. O divórcio, por exemplo, foi oficialmente instituído em 1977 no Brasil. Até meados dos anos de 1980 — quando surgiram os primeiros casos de Aids —, a camisinha era utilizada somente como método contraceptivo. E, apenas em 1998, foi aprovado o primeiro remédio oral para a disfunção erétil pela agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, a FDA.

A epidemia começa a envelhecer. Ao mesmo tempo em que as conquistas sociais fortaleceram o direito à sexualidade, idosos soropositivos expostos ao vírus, por eficácia do tratamento, têm sobrevida muito mais extensa do que no início dos contágios. “Mas, conscientizar essa faixa etária para o uso do preservativo é muito difícil”, aponta a coordenadora de DST/Aids do Pará e especialista na área, Deborah Maia Crespo. “Principalmente nessa faixa etária, é colocado todo um estigma de conduta e postura que favorece um cenário de rejeição familiar quando o idoso é vítima de exposição ao vírus”, completa. Ela conta que os relatos sempre trazem histórias de pessoas que contraíram a doença de um parceiro no qual confiavam e achavam que, por esse motivo, não precisavam se proteger.

Essa é a história de Olga*, moradora da Fale há alguns anos. Aos 55, ela não sabe dizer exatamente quando foi infectada, mas que o marido já manifestava sinais da doença antes que ela soubesse da própria soropositividade. O companheiro não resistiu aos danos causados pelo avanço da Aids. Hoje, Olga fala com desenvoltura sobre o preconceito e a dificuldade que enfrentou. Mas Crespo ressalta que esse desembaraço é pouco comum. Até mesmo o questionamento em consultório sobre a sexualidade do paciente idoso ainda é visto como tabu. “Imagine um profissional de saúde que solicita um exame de HIV. Vai ouvir: ‘você está me julgando como o quê?’ Quando, na verdade, não deixa de ser apenas uma doença sexualmente transmissível.”

Avanço silencioso

A ausência de discussão aberta e franca sobre a sexualidade durante o envelhecimento faz da Aids uma epidemia silenciosa na população acima dos 50 anos de idade em todo o mundo. A situação assume contornos de problema de saúde pública e, para os especialistas, é muito nítida a falta de políticas governamentais de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) que abriguem as necessidades desse grupo. Essa é a opinião da psicóloga Marlene Zornitta, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ). Para a mestre em saúde pública, a questão é ainda mais grave entre a população do sexo masculino devido aos problemas de ereção que levam a uma dificuldade no manejo do preservativo e o consequente abandono do método. “As mulheres também estão na menopausa e não precisam de um método contraceptivo, como a camisinha é encarada por grande parte delas. Acabam deixando a proteção de lado.”

Nesse cenário de exposição e vulnerabilidade, incluem-se outras DST, mas a infecção pelo HIV pode ser mais bem mensurada por, entre outros fatores, ser de notificação obrigatória ao governo. De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, entre o início de detecção da doença, na década de 1980, até 2000, foram diagnosticadas 17.120 pessoas acima de 50 anos com a infecção. Depois, os registros assustam. A soma de novos casos surgidos nos cinco anos posteriores ultrapassa as duas décadas epidemiológicas iniciais. Se em 2001 foram 2.741 novos soropositivos no Brasil com mais de 50 anos; em 2005, 4.356; e, três anos depois, 5.958 registros.

Os dados mostram a contínua ascensão dos números em 2010 (6.228), 2011 (6.449) e 2012 (6.533), mas não conseguem representar a dramática e alarmante realidade vista nos consultórios e nas entidades que trabalham diretamente com idosos soropositivos. Um dos infectologistas mais respeitados do país, Artur Timerman considera que o trabalho na clínica mostra que a epidemia de HIV não estacionou para nenhum grupo. Todos os dias, ele diz conviver com novos diagnósticos de jovens, mulheres e idosos. “Entre as pessoas acima de 65 anos, também percebemos um aumento.” Ele credita parte desse acréscimo à popularização das drogas voltadas para a disfunção erétil, capazes de manter o indivíduo sexualmente ativo por mais tempo.

“Um dos casos que recebi aqui foi de uma senhora de 89 anos que foi infectada aos 82 pelo marido. Ele colocou uma prótese e acabou extrapolando, teve Aids e transmitiu para ela”, relata o especialista. Algumas questões distinguem ainda mais o grupo. A fragilidade do sistema imunológico na terceira idade dificulta o diagnóstico de infecção por HIV, uma vez que, com o envelhecimento, algumas doenças se tornam comuns e os sintomas da Aids podem ser confundidos. Ao mesmo tempo, o idoso, a família dele e até mesmo os profissionais de saúde tendem a não pensar na infecção pelo vírus entre os mais velhos. Esse comportamento agrava a questão, pois o diagnóstico tardio de Aids desencadeia o aparecimento de infecções que comprometem a saúde mental, podendo causar, inclusive, a demência.
Sistema despreparado

À medida que os primeiros soropositivos envelhecem, especialistas em todo o mundo começam a questionar se o sistema de cuidados de saúde e políticas governamentais estão preparados para as novas e complexas necessidades. Países de alta renda, como o Canadá, têm 30% das pessoas vivendo com o HIV e 50 anos ou mais. Em São Francisco (EUA), mais da metade dos soropositivos vive a sexta década da vida. Em um estudo publicado neste mês na Current Opinion in HIV e AIDS, o neuropsicólogo Sean Rourke observou que o envelhecimento para as pessoas com vírus pode ser mais desafiador do que para a população em geral devido ao estigma relacionado à infecção: elas apresentam, por exemplo, mais risco de isolamento social. Segundo ele, os planos de pensões também não estão projetados para receber indivíduos nessa condição.
* Nome fictício a pedido da entrevistada

segunda-feira, fevereiro 18

Sexualidade


Nos últimos anos, a terapia de reposição hormonal para as mulheres e os tratamentos para que homens possam prolongar a ereção possibilitaram aos idosos manter a vida sexual ativa.

Para o ginecologista Celso Galhardo, coordenador do Programa Municipal DST/Aids, de São Paulo, é preciso quebrar o preconceito de que o idoso sexualmente ativo é anormal. Segundo ele, não existe uma idade limite para a atividade sexual, já que isso depende do físico do idoso, das condições de saúde, da libido e do erotismo. “Sexo é sinal de saúde”, argumenta.
Mas o uso das drogas que facilitam a ereção requer muita atenção e cuidado. Antes de tomar o medicamento, o idoso precisa procurar um urologista ou clínico geral para fazer uma avaliação, pois esses medicamentos agem no sistema cardiovascular. Qualquer problema nesse sentido pode inviabilizar o uso do remédio.

Além da maior frequência de sexo nessa faixa etária, outro problema tornou-se preocupante, o aumento do número de infectados pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e clamídia. O vírus do HIV ataca as células de defesa do corpo e o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças. Se descoberto cedo, o tratamento adequado feito com os anti-retrovirais possibilita uma vida normal.
De acordo com o Boletim Epidemiológico do Departamento de DST e Aids, do Ministério da Saúde, de 1980 até junho de 2011, foram notificados 16.838 casos de Aids em pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Em 2000, foram registrados 702 casos nesta faixa etária.

Para a gerontologista e coordenadora nacional da Saúde do Idoso, do Ministério da Saúde, Luiza Machado, o profissional de saúde muitas vezes esquece de perguntar se idoso tem atividade sexual e de pedir o teste. Assim, ocorre muito erro de diagnóstico. “Hoje o idoso vive mais, namora mais, então temos de preconizar uma campanha de prevenção da DST/Aids.”
Segundo a especialista, cada vez mais mulheres idosas são infectadas com HIV e outras DSTs durante o casamento. Muitos homens que fazem uso de medicações contra a disfunção erétil procuram relações extraconjugais e não usam camisinha. “É preciso estimular o uso do preservativo, a própria mulher pode usar e está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde)”, enfatiza.
Galhardo considera que o aumento da incidência de HIV entre idosos está ligado a uma questão cultural. “O idoso viveu numa época na juventude dele que o uso de preservativo não era difundido, é difícil explicar a ele que pode pegar o HIV em qualquer faixa etária. O idoso acha que o prazer será menor, mas o sexo pode ser tão bom ou até melhor com camisinha”, explica.

A geriatra Fabíola Borges diz que o HIV na terceira idade é uma questão delicada. “Se é difícil convencer uma geração jovem que teve educação sexual e, mesmo assim, não usa camisinha, imagine convencer um idoso que nunca usou preservativo”, afirma.
E enumera outros fatores que contribuem para a disseminação do vírus em idosos: faixa etária que não se preocupa com a prevenção de gravidez (considerada um estímulo à prevenção dos jovens), o preconceito do próprio idoso e da sociedade que o vê como população de não-risco e falta de informação.
Durante a janela imunológica – período entre a infecção pelo vírus da AIDS e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue – o paciente não apresenta sintomas. Mas muitas vezes, o idoso só procura ajuda médica no estágio mais avançado da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, quando seus sintomas já estão se manifestando. Nessas situações, qualquer doença oportunista, como gripe ou pneumonia, pode ser muito grave e até fatal. “O idoso também precisa tomar a iniciativa e fazer o teste. Quanto mais cedo tiver esse diagnóstico, pode ser direcionado ao serviço público de saúde e ter o tratamento correto”, afirma Galhardo. 
Fontes: 

domingo, novembro 20

Pacientes idosos com HIV exigem cuidados especiais


HIV na terceira idade

O tratamento e prevenção de doenças não relacionadas ao HIV está se tornando importante para as pessoas que sofrem da imunodeficiência em idades avançadas.

É o que conclui um estudo recém-publicado por cientistas suíços, do grupo Swiss HIV.

Reunindo o trabalho de vários pesquisadores e profissionais envolvidos na luta contra o HIV em todas as partes do país, o estudo examina o quadro clínico de aproximadamente 9.000 pacientes soropositivos de janeiro de 2008 a dezembro de 2010.

A coordenadora Barbara Hasse, do Hospital de Epidemiologia no Hospital Universitário de Zurique, explica que o estudo mostra que o HIV pode ser tratado e que os doentes podem ter uma vida normal.

Mas pessoas com mais de 65 anos e que são HIV positivo vivem um grande risco de contrair outras doenças não relacionadas ao HIV ou à AIDS, mesmo que estejam tomando medicamentos antirretrovirais. 
O grupo também documentou a evolução da idade de pacientes com HIV, chegando a conclusões como o aumento, de 3% a 25%, do grupo de pessoas com idades entre 50 e 64 anos, de 1990 a 2010.

A descoberta confirma que os tratamentos com antirretrovirais podem prolongar a vida dos doentes.

- Quais são as principais descobertas do estudo?

Barbara Hasse: As principais conclusões do estudo são que as chamadas "comorbidades" (doenças secundárias) são um tópico de discussão crescente na medicina de HIV - particularmente as comorbidades não relacionadas à AIDS - e que elas ocorrem com a AIDS apesar do tratamento retroviral.

Por isso não faz diferença tomar a bateria de remédios.

O que é muito importante é que existe uma necessidade de focalizar cada vez mais na prevenção (de outras doenças) na medicina de HIV.

Por exemplo, na prevenção de doenças cardiovasculares, pulmonares e outros cuidados primários que também são importantes para os nossos pacientes com HIV, pois eles estão envelhecendo. Quando se tornam mais idosos, aumenta também a possibilidade de contrair enfermidades comuns na terceira idade.

- O estudo avaliou como as pessoas que fazem tratamentos retrovirais reagem aos medicamentos contra outras doenças?

B.H.: Nós apenas olhamos os números e quantas medicações paralelas eles utilizavam.

Existe outro estudo sobre a interação potencial entre os remédios contra HIV e outras medicações paralelas ao mesmo tempo na população de terceira idade.

É um problema enorme a poli farmácia nas pessoas que estão se tornando mais idosas.

- Por que é difícil de comparar como as doenças atuam em pacientes com e sem o HIV?

B.H.: O grupo comparativo ideal seriam as pessoas com os mesmos hábitos de consumo do cigarro, a mesma idade assim como nosso paciente com HIV.

De forma ideal seria uma pessoa com aproximadamente 45 anos, que consomem de forma moderada álcool, possivelmente com o mesmo hábito de consumo em relação ao fumo e um pequeno grupo de usuários de entorpecentes intravenosos.

Agora me conte onde posso encontrar esse grupo? Esse é realmente o problema e também com todos os tipos de enfermidade: não existe um sistema de base populacional que possibilite encontrar de forma sistemática determinados grupos.

O que estamos tentando fazer agora é questionar primariamente o pessoal clínico se eles podem nos fornecer dados sobre morbidades múltiplas (várias doenças concomitantes) entre os seus grupos de pacientes. Assim podemos comparar os dados desses dois grupos.

O HIV pode ser considerado uma sentença de morte? O estudo parece sugerir que as pessoas com HIV estão morrendo por outras doenças não relacionadas ao mal.

B.H.: Esse estudo é como uma prova que o HIV é uma doença crônica tratável. Ela não pode ser curada, mas pode ser tratada ou controlada, o que permite uma melhor vida para os pacientes. Mais de 90% do nosso pessoal estão trabalhando e tendo uma vida normal, apesar te serem soropositivos. Isso é um sinal positivo.

Mas o inverso é que você passa a ter mais uma enfermidade quando começar a envelhecer, por exemplo, desenvolvendo doenças cardiovasculares. Nosso grupo de pacientes ainda consome álcool e nicotina, o que torna ainda mais importante à prevenção contra doenças.

- Se o HIV agora pode ser controlado, deveríamos procurar uma combinação de tratamento contra e de cuidados primários com um médico generalista?

B.H.: Penso que é necessário trabalhar com um clinico especializado e com experiência no tratamento de HIV. Este, junto com o médico generalista, pode então cuidar do paciente.

Isso é o que nossa clínica basicamente está realizando. Junto com os clínicos tentamos tratar de problemas cardiovasculares, fim do fumo e coisas parecidas.

O que também é muito importante é a múltipla co-medicação que está envolvida. Por isso o clínico geral e o doutor especializado em HIV precisam saber que por que tipo de tratamento o paciente está passando.

Aqui na Suíça temos especialistas em HIV que também são médicos familiares, mas eles estão muito familiarizados com a medicina para o tratamento contra HIV.

- O estudo teria mostrado que algumas doenças prevalecem mais do que as outras para pacientes de HIV?

B.H.: Nós tentamos olhar para o observatório do câncer no nosso país, que são os dados mais fiáveis sobre a questão do câncer.

Assim descobrimos que o grupo de enfermos com idades acima de 65 anos existe uma incidência de câncer maior, mas não estamos ainda muito seguros.
Fonte:diariodasaude  
abçs,

quinta-feira, outubro 13

A TERCEIRA IDADE E A AIDS


Doenças podem se agravar com o uso dos anti-retrovirais 
Embora os procedimentos para o tratamento de pessoas vivendo com aids com mais de 60 anos sejam os mesmos previstos no Consenso Brasileiro do Ministério da Saúde para adultos, percebe-se que algumas doenças comuns à Terceira Idade podem se tornar mais graves com o uso freqüente dos anti-retrovirais. A médica Valéria Ribeiro Filho explica que há uma tendência de maior fragilidade do sistema imunológico nesta faixa etária. Segundo ela, “são pessoas mais sujeitas a pneumonias e gripes, tanto que tomam vacinas para se prevenir. Doenças como a osteoporose, por exemplo, costumam se intensificar com o uso de anti-retrovirais, o que torna necessário um reforço de cálcio para esses pacientes”. No caso das mulheres, observase que a menopausa é mais precoce, mas a médica do hospital da UFRJ ressalta que faltam pesquisas para confirmar cientificamente essa hipótese.

A psicóloga Marlene Zornetta, que está estudando o comportamento de pacientes da Terceira Idade infectados pelo HIV, observa que essas pessoas, em alguns momentos, apresentam características semelhantes aos adolescentes: “Eles são preconceituosos e temerosos em revelar sua condição de soropositivos para o HIV, dificultando o trabalho psicológico em grupo”. Quanto à adesão ao tratamento, tanto Marlene quanto Valéria afirmam que a disciplina com os anti-retrovirais é uma característica pessoal e não varia conforme a faixa etária: “A adesão ao tratamento está relacionada a diversos fatores individuais, e não à faixa etária. Essa atitude positiva ao tratamento é uma decisão de cada paciente”, destaca a psicóloga. SV

Grupo de apoio ajuda a transformar a vida

No Rio Grande do Sul, J.L.X, de 60 anos, trabalhava em uma creche como cozinheira quando descobriu ser soropositiva. Casada quatro vezes, J.L.X.tem oito filhos e vários netos. “Quando minha filha mais nova soube que eu vivia com HIV, entrou em pânico. Eu consegui acalmá-la, explicando que iria viver a partir dali da melhor maneira possível”. Assim, J.L.X.obteve total apoio familiar. Com a saúde estabilizada, ela entrou para um grupo de apoio, o Com Vida. “Quando entrei no grupo, me senti ainda mais apoiada. Hoje, consegui me transformar em outra pessoa”, afirma com orgulho.

Receio de expor a família

T*, 61 anos, sabe que tem o vírus há sete anos e nunca contou para as filhas. Ela trabalha como empregada doméstica e seu patrão também é soropositivo. T*foi quem aconselhou o rapaz a fazer o teste e cuidou dele depois que veio o diagnóstico positivo. Contudo, nunca contou para ele que também é soropositiva.

No corredor do Hospital da UFRJ, histórias como a de T* se repetem.

A* está perto dos sessenta e apenas seus filhos conhecem seu diagnóstico: “tenho medo do preconceito, de ser apontada na rua”, revela. Sentado ao seu lado, um homem bem humorado de 67 anos diz que os seus seis filhos sempre o apoiaram. Entretanto, J* não pretende contar a mais ninguém porque também não quer expor a sua família a algum tipo de discriminação.

Evangélico e aposentado, hoje ele se dedica a inúmeros trabalhos comunitários: “a aids fez com que eu pensasse um pouco mais em mim. Passei a viver mais intensamente”.

Em vários serviços de saúde do Brasil é possível encontrar pessoas como J.L.X.*, T*, J* e A*. 

Suas histórias mostram que a epidemia de aids é uma realidade entre esta faixa etária. Só não vê quem não quer.
 Fonte:

Cuide-se!

Use preservativo...


abçs,

quinta-feira, setembro 1

Cresce número de pessoas com AIDS com mais de 50 anos no Brasil


Homens e mulheres na terceira idade estão fazendo sexo sem prevenção e se contaminando com o vírus

A AIDS (na sigla em português: SIDA – Síndrome da Imunodeficiência* Adquirida) não atinge apenas os jovens, pois vem sendo registrado um aumento significativo da doença entre a população da terceira idade. Segundo dados do Ministério da Saúde, 0,04% da população acima de 65 anos são portadores do vírus HIV, o que significa que 5.500 idosos têm a doença no Brasil.

Homens e mulheres na terceira idade estão fazendo sexo sem prevenção e se contaminando com o vírus da AIDS. E não é só isso. Os números da doença em pessoas com mais de 50 anos crescem no país.

A nova geração de idosos que hoje já têm recursos para prolongar a qualidade de vida, acaba por aumentar também sua sexualidade, pois as pílulas azuis (Viagra) fazem grande sucesso. Se estão ativos para dançar, passear e estudar, também estão para namorar, mas ninguém pensa na vovó e no vovô fazendo sexo.

O homem mais velho tem mais dificuldade de aceitar o preservativo, porque ele associa isso à sua juventude, quando não se usava muito a camisinha e a AIDS ainda não existia. Outro fator importante é que ainda existe o tabu de se falar sobre sexo na terceira idade, seja pela mídia, pela família e até nos consultórios médicos, que devem estar atentos, pois uma das manifestações da AIDS na velhice é o quadro de Demência, ou postos de saúde onde uma orientação poderia ser feito sem preconceitos.

Preocupados com os resultados dessa pesquisa o Programa Nacional de DST/ AIDS e a Coordenação de Saúde do Idoso, ambos ligados ao Ministério da Saúde, firmaram uma parceria e elaboraram uma campanha que deverá ficar pronta no segundo semestre do ano que vem, e prevê ações que incentivam o uso do preservativo feminino e masculino, com distribuição gratuita em programas voltados para a terceira idade, bem como a inclusão do teste de HIV nos procedimentos feitos nessa faixa etária.

De 1980 a junho de 2009, foram registrados 544.846 casos de AIDS no Brasil. Durante esse período, 217.091 mortes ocorreram em decorrência da doença. Por ano, são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos de AIDS. Em relação ao HIV, a estimativa é de que existam 630 mil pessoas infectadas no país.


abçs,

domingo, julho 3

Dobram os casos de Aids na terceira idade em 10 anos


Avôs e avós fazem sexo, sim. E, sem proteção, também pegam Aids. De 1998 a 2008, os casos da doença entre pessoas acima de 60 anos no Brasil mais que dobraram, segundo dados de 2010 do Ministério da Saúde.

A via predominante de transmissão é por relação sexual heterossexual, em ambos os sexos.

Embora o número absoluto de casos ainda seja pequeno em comparação com outras faixas etárias, o ritmo de crescimento da doença entre os idosos é preocupante, afirma Eduardo Barbosa, diretor do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Sem o hábito --e, muitas vezes, sem o conhecimento-- de usar preservativos, esse grupo se expõe mais ao risco de contrair o vírus HIV, de acordo com Barbosa. "É difícil de mudar a mentalidade dessa população. Eles ainda encaram o sexo com camisinha como chupar bala com papel."

Além disso, para as mulheres o preservativo sempre esteve associado a um método contraceptivo. Como não estão mais em idade reprodutiva, não veem por que usá-lo.

VIDA SEXUAL ATIVA

O preconceito a respeito da vida sexual dessa população também dificulta a proteção. "Ninguém de nós vê nossos nossos avós como sexualmente ativos, e isso dificulta o diagnóstico e o acesso à prevenção", diz Barbosa.

Os idosos têm ainda a ideia de que a Aids é uma doença de jovens e que estão à margem do risco, segundo o infectologista do hospital Emílio Ribas Jean Gorinchteyn, autor do livro "Sexo e Aids depois dos 50".
MARIANA VERSOLATO


Esta obra mostra o impacto do HIV/AIDS em pessoas acima de 50 anos, delineando desde formas de contaminação, onde situações cotidianas podem representar grande ameaça de contágio, como, também, o drama vivido por seus pacientes, por ocasião do diagnóstico, muitos dos quais casados, com filhos e netos, revelando como esta doença confere grande impacto psicológico e social, desfazendo elos familiares, sociais e profissionais, sendo mais doloroso e impetuoso, até, que as próprias doenças oportunistas ocasionadas pela doença. Revela exemplos de vida e superação de alguns pacientes, através de seus depoimentos, deixando uma marca maior que é o arrependimento de não ter se prevenido.


 bjs,soninha
 

Paz!