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quarta-feira, novembro 6

Conheça os exames médicos básicos para idosos


O geriatra Omar Jaluul, presidente da sessão paulista da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), indica os exames que devem virar rotina na vida de homens e mulheres a partir dos 60 anos. Mas alerta para exageros desnecessários. Para Jaluul, o ideal é fazer apenas os exames que o médico solicitou, sem se submeter aos checkups ultracompletos que existem no mercado.

- Checkup é fundamental, mas o exagero no número de exames é ruim. Precisa ser feito o essencial: ir ao médico, fazer o indicado, mas parar por ai. Não tem que ficar procurando coisas muito diferentes onde não há sintomas.

Pressão arterial: verifica o nível da pressão arterial e indica possíveis alterações (alta ou baixa). A pressão arterial é determinada pelo volume de sangue que sai do coração e a resistência que ele encontra para circular no corpo. Ela é considerada normal quando está em 120x80 mmHg (milímetros de mercúrio) e se não ultrapassar 130x85 mmHg. Em caso de pressão ao alta, esse número fica acima de 140x90 mmHg, o que pode acarretar desmaios, ataque cardíaco e, em casos extremos, a morte. A pressão baixa (menor do que 120x80 mmHg) não preocupa tanto os médicos. Mas níveis muito baixos de pressão provocam sonolência, tonturas, desmaios e até a morte.

Exames básicos de sangue:

Hemograma: o exame de coleta do sangue pode detectar anemia. Deve ser feito uma vez por ano a partir dos 60 anos.

Ureia e creatinina: exame para checar as funções renais e possíveis alterações, como insuficiência renal. Deve ser feito uma vez por ano, a partir dos 60 anos.

TSH (hormônio estimulante da tireoide): o exame é indicado para detectar alterações na produção de hormônios da tireoide. O TSH é um hormônio que regula a produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4). Quando a produção está alta, o nível de TSH diminui, e quando está baixa, aumenta, para estimular a produção dos hormônios da tireoide. O nível baixo do TSH indica hipertireoidismo. Se o nível de TSH é alto, indica hipotireoidismo. Deve ser feito uma vez por ano, a partir dos 60 anos.

Glicemia de jejum: o exame detecta o diabetes (deficiência de produção ou ação da insulina, que causa o aumento anormal de glicose no sangue). Deve ser feito a partir dos 60 anos.

Colonoscopia: o exame pode detectar precocemente o câncer nos intestinos (grosso e delgado). Deve ser feito uma vez por ano a partir dos 50 anos. Se tiver casos na família, é indicado fazer o primeiro exame aos 40 anos. O câncer no intestino grosso também pode ser detectado por um exame chamado pesquisa de sangue oculto nas fezes, já que cânceres e pólipos instalados no intestino podem sangrar em pequenas quantidades, invisíveis a olho nu. No exame, é possivel enxergá-lo nas amostras, que devem ser colhidas três vezes por ano.

Papanicolau: a partir dos 65 anos, se o exame apresentar resultado normal durante três anos seguidos, ele pode ser suspenso, desde que a mulher não tenha vida sexual promíscua. O exame tem a função de detectar câncer de colo do útero.

Mamografia: o exame de avaliação das mamas é feito por raio-X. O primeiro deve ser feito entre os 35 e 40 anos. Após os 40, uma vez por ano. O objetivo da análise é prevenir ou detectar o câncer de mama. Detalhe: homens e mulheres podem desenvolver o câncer.

Densitometria óssea: assim que completar 65 anos ou depois da menopausa, o exame deve ser realizado na mulher a cada dois anos para prevenir a osteoporose (perda anormal da massa dos ossos). O exame mede a densidade dos ossos e a possível perda de massa óssea.

Teste ergométrico (ou de esforço): o exame mede a capacidade cardíaca e verfica a existência de doenças cardiovasculares, como aterosclerose e hipertensão, por meio de exercícios físicos na esteira ou na bicicleta ergométrica. É indicado fazê-lo uma vez por ano a partir dos 30 anos. A partir dos 60, é fundamental para quem pretende começar uma atividade física.

Exame da próstata: detecta o câncer de próstata, uma glândula masculina que envolve a uretra e produz um líquido que compõe o sêmen. Do tamanho de uma azeitona, está localizada entre a bexiga e o reto. Para detectar o câncer é necessário fazer três exames complementares: o toque retal (introdução do dedo indicador coberto por uma luva no ânus do paciente), a ultrassonografia transretal (introdução de aparelho com microcâmera no ânus) e o exame de sangue PSA (antígeno prostático-específico), que mede os níveis de uma substância relacionada a alterações na próstata. É recomendável fazer o primeiro exame de próstata depois dos 40 anos. Aos 50, deve-se fazê-lo uma vez por ano, pois o risco de câncer aumenta com a idade.

Ultrassom de abdômen: exame indicado para homens fumantes, detecta aneurisma de aorta (dilatação da artéria aorta, que pode se romper). É recomendado fazer o primeiro exame a partir dos 50 anos. Não é indicado para mulheres dessa faixa etária porque, segundo o urologista, o índice de mulheres que fumam nessa idade é muito menor do que o dos homens. O paciente só deve voltar a fazer o exame se for detectado algum problema na artéria. 

domingo, julho 29

Quando procurar o geriatra ?


Cada vez mais ouvimos as perguntas “Quando procurar o médico geriatra? Com que idade? O que este profissional pode fazer pela nossa saúde?”.

Um geriatra é um médico generalista e especialista a um só tempo. O que isto quer dizer? Médico generalista é aquele que sabe de tudo um pouco. Médico especialista é aquele que domina uma determinada área do conhecimento médico e se torna referência nesta área até mesmo para os outros médicos. Como generalista, o geriatra é capaz de prevenir, avaliar e tratar doenças dos mais diferentes aparelhos do nosso corpo; além disto, como conhece razoavelmente bem cada área da medicina, sabe onde seu conhecimento termina e onde deve contar com o auxílio de um especialista e encaminhar o paciente de forma correta. Para isto, ele estuda muita Clínica Médica, Cardiologia, Psiquiatria, Neurologia, Pneumologia, Nefrologia, etc. Mas o geriatra é também um especialista: é a única especialidade da medicina que se dedica a estudar o idoso e o processo de envelhecimento. Nesta área, o geriatra é referência para os outros especialistas. 

O geriatra se preocupa, portanto, com todos os aspectos da saúde do idoso, mas vê sempre todas elas de acordo com as particularidades da saúde diante do processo de envelhecimento. Enquanto a grande maioria das especialidades médicas se dedica a um órgão ou sistema, a geriatria é das poucas especialidades que se dedicam ao indivíduo como um todo e a única que estuda o processo de envelhecimento.

Ter um geriatra é ter o seu médico e não um médico para cada órgão ou doença. Aquele que lhe conhece e pode lhe atender, apoiar e orientar a qualquer hora em qualquer dia, no consultório, na sua casa e até dentro do hospital se for necessário. O geriatra também resgata a figura - tão saudosa e necessária nos dias de hoje em que o anonimato é a regra - do médico da família. Aquele a quem sabemos que podemos recorrer, seja quando só precisamos sanar uma dúvida, seja quando precisamos pedir socorro. 

E faz diferença pensar no envelhecimento?

Diversas modificações acontecem durante o nosso envelhecimento, e estas alterações são de início precoce. Como veremos, embora sempre haja o que se fazer para melhorar a qualidade de vida de um idoso, existem idosos que envelheceram bem e idosos que envelheceram mal. E escolher que tipo de idoso queremos ser é privilégio de quem é jovem e está disposto a planejar o seu envelhecimento.
Dr. Thiago Monaco


abçs,

Paz!