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quarta-feira, janeiro 29

IDOSOS E SOCIEDADE


~Anselmo Ferreira Vasconcelos ~

Um importante fenômeno demográfico e social está presentemente em curso, ou seja, o substancial envelhecimento da população. Seus efeitos são claramente visíveis, particularmente no Ocidente. Para ser mais exato, os adultos com 60 anos ou mais de idade já representam um quinto da população nos países desenvolvidos, e as previsões indicam que serão um terço por volta de 2050.

Em decorrência dessa tendência, na Europa, por exemplo, as preocupações estão no momento fortemente concentradas na busca do equilíbrio dos sistemas previdenciários. De modo geral, a relação entre os adultos participantes da população economicamente ativa e o número de idosos, que se beneficiam de aposentadorias e outros programas assistenciais, é desproporcional.

A gênese desse problema está ligada ao aumento da longevidade e o fato de que as novas gerações estudam muito mais anos em cursos de graduação e pós-graduação do que as precedentes e, em consequência, demoram mais tempo para ingressar no mercado de trabalho. Quando, enfim, optam por formar as suas próprias famílias, os casais têm, em média, um filho.

Segue daí que as contas públicas não fecham, os déficits previdenciários são crescentes e a necessidade de implementação de medidas adicionais (amargas, por sinal) parece ser inevitável. O Brasil, por sua vez, vem sentindo os efeitos daí decorrentes. De fato, as previsões do IBGE, nesse particular, são altamente preocupantes. Veja-se, por exemplo, que os dados colhidos pelo instituto indicavam que, em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos, havia 24,7 idosos com 65 anos ou mais de idade. No entanto, as projeções sugerem que, entre 2035 e 2040, haverá muito mais população idosa chegando a alcançar uma proporção 18% superior à de crianças e, em 2050, a relação poderá ser de 100 para 172,7.

Outro dado alarmante: em 2000, para cada pessoa com 65 anos ou mais de idade, aproximadamente 12 estavam na faixa etária chamada de potencialmente ativa (15 a 64 anos de idade). Contudo, as projeções mostram que já em 2050, a relação entre ambos os grupos de idade passa a ser de 1 para pouco menos de 3. Estatísticas à parte, o Brasil conseguiu o expressivo feito de implantar um estatuto especificamente voltado ao idoso. Em tese, tal regulação deveria contribuir significativamente para atenuar as agruras da velhice.

Todavia, é notório que a situação do idoso brasileiro é cercada por dramaticidades sem conta. Senão vejamos: baixo valor pago às aposentadorias (o fator previdenciário simplesmente sequestrou a renda justamente conquistada por esse grupo, o que constitui, indiscutivelmente, uma das maiores arbitrariedades já praticada neste país), custo elevado dos remédios e planos de saúde, infraestrutura inadequada, situação de dependência e percepção de desamparo, entre outras coisas. Os nossos velhos estão longe de viver o tratamento e a atenção dispensada aos seus semelhantes na Suécia, por exemplo.

Não bastasse isso, observa-se igualmente um indisfarçável conflito intergeracional, especialmente nas grandes cidades. Ou seja, o tratamento dado ao idoso pelas gerações mais jovens na atualidade prima, não raro, pela indiferença e frieza. Em viagens de metrô, trens ou ônibus abundam as situações de indelicadeza e ausência de empatia em relação aos mais idosos, não obstante a profusão de avisos e advertências.

Tal constatação nos leva a crer que a velhice está sendo muito mal recebida pela sociedade brasileira contemporânea. Ao que nos consta, não há um estudo detalhado sobre o assunto para explorar, mas os exemplos de tal distorção comportamental são obviamente onipresentes. Há aí, evidentemente, um componente educacional que precisa ser apropriadamente enfocado. A começar pelo berço, embora os pais hodiernos tendam a ser emocionalmente distantes e, as suas orientações, pouco ou nada efetivas.

Dito de outra forma, as novas gerações precisam ser ensinadas desde cedo – por mais óbvia que tal sugestão possa ser – a respeitar o idoso, a conviver harmoniosamente com a velhice e a dar primazia às suas necessidades. A questão é básica. Ser um dia idoso é destino inexorável de todos, conforme estabelecem as leis da vida. Salvo alguma eventual exceção, deveremos transitar – consoante a lógica da vida – um dia por essa fase biológica que, na precária condição terrena, vem acompanhada de limites e restrições inumeráveis.

Desse modo, não fazer aos outros aquilo que não desejamos para nós representa uma norma cristã basilar de vida. Portanto, alocar espaço apropriado para o idoso e respeitar os seus limites denota boa conduta humanitária e espiritual. Não tenhamos dúvida também que lidar com um número crescente de idosos exigirá muito mais paciência e sensibilidade de todos nós. Mas esse é um preço justo derivado do simples fato de se viver em sociedade. Mas ao atender digna e respeitosamente a um idoso estamos trabalhando, na verdade, pelo nosso próprio bem, pelo nosso amanhã.

                                                          Paz e Luz!

sexta-feira, maio 27

Em 2050, 30% da população do Brasil será de idosos


O Brasil está envelhecendo! A conclusão é do Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o relatório, o número de pessoas com mais de 60 anos no país deverá crescer muito mais rápido do que a média internacional. Enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, ela quase triplicará no Brasil. 

No País, a porcentagem atual, de 12,5% de idosos, deve alcançar os 30% até a metade do século. Segundo a OMS, uma nação é considerada “envelhecida” quando mais de 14% da população é constituída de idosos – como são, atualmente, França, Inglaterra e Canadá, por exemplo. 

Taxa de natalidade 

“Enquanto a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade diminui. No Brasil, há mais de 15 anos nascem menos crianças que o necessário para repor os pais, ou seja, os casais estão tendo uma média de filhos inferior a dois. Enquanto isso, as pessoas estão vivendo por mais tempo. O resultado desta equação é um crescimento muito rápido na proporção de idosos no país”, afirma Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional para Longevidade no Brasil e membro da Rede Global de Cidades e Comunidades Amigáveis aos Idosos da OMS. 

Viver mais não significa viver melhor 

A conclusão do estudo, que em um primeiro momento pode refletir um avanço na qualidade de vida da população, preocupa especialistas. Isso porque, junto com o aumento na expectativa de vida, vem o alerta: viver mais não significa viver melhor. 

Segundo Kalache, enquanto em países europeus o processo de envelhecimento da população aconteceu de forma lenta e somente depois de um enriquecimento das nações, na qual problemas de infraestrutura já estavam resolvidos, o mesmo não ocorreu por aqui. 

De acordo com o relatório da OMS, um brasileiro que vive 75 anos teria uma média de 65 anos com qualidade de vida, sendo os últimos 10 associados a doenças, dependência de cuidados especiais e deficiências. “Em muitos países, como em grande parte daqueles do norte da Europa, as pessoas tem uma expectativa de vida acima dos 80 anos, e um número de anos perdidos com doenças inferior a 10. Elas vivem mais tempo e com melhor qualidade”, compara o especialista. 

Para Renato Bandeira de Mello, geriatra e professor da Faculdade de Medicina da UFRGS, um dos principais desafios atuais do Brasil melhorar a qualidade de vida dos idosos está relacionado à qualidade do atendimento primário de saúde e à formação de profissionais especializados em terceira idade. 

Estereótipo 

Um dos pontos principais levantados pelo relatório da OMS é a rejeição ao estereótipo dos idosos como frágeis e dependentes, destacando que, enquanto algumas pessoas mais velhas exigirão cuidados e apoio, as populações idosas, em geral, são muito diversas e podem fazer várias contribuições para as famílias, comunidades e sociedade em geral.

Fotos/ilustrações: divulgação

*Jo Tozzatti*

quarta-feira, maio 25

“Sou igual bicicleta, se parar cai, então não vou parar”, afirma a aposentada, hoje modelo, Eterna Dias, 71


Até pouco tempo atrás, pessoas mais velhas perdiam espaço no mercado de trabalho para os jovens. Mas alguns patrões começaram a mudar essa regra para aproveitar melhor a energia e a experiência dos profissionais. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dos 15 milhões de idosos no Brasil, 4,5 milhões estão no mercado de trabalho. 

Acordando antes do despertador tocar 

Vianelo Coelho Da Silva é um exemplo desta mudança de paradigma. Aos 94* anos, de segunda a sábado ele está sempre fiscalizando o conserto das estradas em Nerópolis, a 30 quilômetros de Goiânia (GO). Ele sempre se levanta bem cedinho, antes do despertador. “Agora eu quero aproveitar a vida. Não está certo?”, afirma, contente, Vianelo. 

‘Ligado no 220’ 

Até pouco tempo atrás a regra era essa: a pessoa envelhecia, se aposentava e ficava em casa. E aí toda experiência profissional adquirida ao longo dos anos já não tinha mais nenhuma utilidade. E foi justamente pensando em toda essa experiência que estava sendo desperdiçada que uma rede de supermercados, onde 20% do quadro de funcionários já tem idade pra parar de trabalhar, decidiu contratar idosos. 

Entre eles, está o eletricista Vicente Goes Nogueira, com seus quase 71 anos completos. Questionado sobre sua boa disposição, ele brinca: “Sou ‘ligado no 220’, nunca desligo”. 

“A introdução do idoso na cadeia produtiva melhorou o desempenho em atendimento e no relacionamento com o consumidor”, diz Tiago Damasceno, diretor de marketing da rede. 

Batom, lápis nos olhos e poses, muitas poses 

Outro exemplo de quem não quer parar é Eterna Dias. Aos 71 anos, aposentada e com filhos criados, ela descobriu que não queria ficar em casa. Virou modelo. “Nós não estamos mais na época que a vovó ficava na porta fazendo crochê, conversando com as colegas. Eu sempre falo para o meu pessoal, sou igual  bicicleta, se parar cai, então não vou parar”, conta a modelo.

Assista à reportagem completa clicando no vídeo acima.

Por: Caroline Fernandes Mussato
Jornalista, formada pela Unimar e autora do livro ‘Vivendo’, é colunista convidada do Portal Terceira Idade

Vídeo: G1 / divulgação 
*Nota: No vídeo, a legenda apresenta a idade do entrevistado Vianelo Coelho Da Silva como sendo de 98 anos – a idade correta é 94.

*Não pare...vá em frente, firme e forte!!*

quinta-feira, maio 19

A Hipótese das Avós


Se a vida na Terra tem algum sentido é o crescei e multiplicai-vos.

A maioria dos vertebrados morre, quando o vigor reprodutivo chega ao fim. Seres humanos são uma das raras exceções.

Sob a perspectiva evolucionista, qual seria a explicação para que as avós, mulheres já estéreis que pouco contribuem para a produção de alimentos, permaneçam vivas e com a cognição preservada?

Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) propõe uma explicação genética para esse fenômeno.

Em 1998, um trabalho de campo havia mostrado que, no grupo Hazda de caçadores-coletores da Tanzânia, sobreviviam mais crianças nas famílias com avós que ajudavam a alimentá-los e lhes transmitiam tradições culturais e ensinamentos ecológicos. Graças a essa atuação, seus genes levariam vantagem na passagem para as novas gerações, teoria que ficou conhecida como “a hipótese das avós”.

A deterioração da capacidade cognitiva associada ao envelhecimento, entretanto, compromete essas vantagens e se torna onerosa aos membros do grupo.

No estudo da PNAS, o grupo de Aji Varki e Pascoal Gagneux, da Universidade da Califórnia, avaliou a contribuição de um gene (CD33) envolvido no controle das respostas inflamatória e imunológica às infecções e na doença de Alzheimer, enfermidade característica da fase pós-reprodutiva.

Pesquisas anteriores haviam documentado que CD33 tem duas variantes (alelos), uma das quais predispõe à doença, enquanto a outra protege contra a proteína que se acumula no cérebro dos pacientes com Alzheimer. 

Para elucidar o papel de CD33, o grupo comparou essas duas variantes com as dos chimpanzés e dos bonobos, nossos parentes mais chegados.

Verificaram que seres humanos e chimpanzés apresentam níveis semelhantes da variante deletéria, enquanto a protetora atinge níveis quatro vezes mais elevados entre nós.

Esse achado sugere que os chimpanzés, primatas em que a morte costuma coincidir com o fim do período de fertilidade, nunca viveram o suficiente para usufruir as vantagens da variante protetora. De fato, entre eles não são encontrados os transtornos cognitivos típicos do Alzheimer.

Pesquisando em bancos de dados do Projeto Genoma, os autores encontraram a variante protetora em etnias africanas, americanas, europeias e asiáticas.

CD33 protetora, no entanto, não está presente em todas as pessoas. Conhecê-la em profundidade pode levar a medicamentos que mimetizem seus efeitos.

De qualquer forma, é muito interessante descobrir que nossa espécie selecionou uma variante para nos proteger de uma doença que só se instalará na oitava ou nona década de vida, fase distante da seleção reprodutiva. Esse mecanismo seletivo operaria no sentido de maximizar as contribuições de indivíduos em idade pós-reprodutiva para a sobrevivência dos mais novos.

Os autores concluem que “as avós são tão importantes, que nós evoluímos genes para proteger suas mentes”.

sábado, maio 14

Pacientes com diabetes minimizam gravidade da doença


O diabetes é uma doença crônica que faz milhões de vítimas a cada ano, por isso já é considerado epidemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Só no Brasil são 14 milhões de portadores (cerca de 10% da população), sem contar as pessoas que não sabem que têm a doença ou ainda não receberam o diagnóstico. O tipo 2 da doença é mais comum (corresponde a 90% dos casos) e ocorre por dois fatores: insuficiência na produção de insulina ou resistência a ela. Embora a doença possa ser prevenida e tratada, minimizando, assim, suas complicações, isso dificilmente é levado em consideração por grande parte dos pacientes.

Dieta adequada, contendo legumes, verduras, fibras e carnes magras, além da prática diária de exercícios físicos e controle da pressão arterial são os pilares fundamentais da prevenção do diabetes. Mas, segundo o dr. Bruno Geloneze, endocrinologista e coordenador do Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes da Unicamp (Universidade de Campinas), as pessoas não têm consciência da gravidade da doença e acham normal conviver com índices de glicose acima de 200mg/dL, já que os sintomas da hiperglicemia não são tão aparentes. “É comum os pacientes dizerem: ‘meu açúcar é só um pouco alto’. As pessoas têm dificuldade de compreender as possíveis complicações que podem surgir se o diabetes não for controlado. Quase sempre há uma negação em relação à doença.”

Ainda segundo o médico, o aumento excessivo da glicose é altamente tóxico para órgãos como cérebro, rins, olhos e coração.  Quem tem diabetes tem risco de duas a quatro vezes maior de sofrer um infarto. “Isso nos angustia muito, pois é possível prevenir, temos remédios para tratar, mas os número de pessoas com a doença só cresce. Além disso, uma doença que antes aparecia aos 50 anos, agora surge aos 15”, afirma o especialista.

Panorama do diabetes nas Américas

O diabetes é a quarta causa de mortes no Brasil (a primeira ainda é o infarto). De maneira geral, o cenário da doença nas Américas do Sul e Central não é nada animador. A região gasta cerca de 12% de seu orçamento total de saúde com o tratamento de adultos com a enfermidade.

Entre os países das Américas, só não estamos piores que o México, que conta com 14% da população com a doença. O país já ultrapassou, inclusive, os Estados Unidos como o país mais obeso do planeta. Para tentar frear o crescimento absurdo, em 2014 o governo mexicano introduziu um imposto de 10% sobre o preço das bebidas adoçadas. Se antes era mais barato comprar uma Coca-Cola que uma água no México, hoje ele é um dos poucos países do mundo a taxar os refrigerantes.

Segundo o dr. Ruy Lopez Ridaura, do Instituto Nacional de Salud Pública do México, pesquisas feitas na instituição estimam que, com o imposto de 10%, de 400 mil a 630 mil casos de diabetes deixarão de surgir até 2030. “É um esforço grande que estamos fazendo para tentar conter essa epidemia. Foi bom, mas mesmo assim continua sendo insuficiente, porque o México possui as maiores taxas de mortalidade associadas ao diabetes. A mudança no estilo de vida da população contribuiu para isso, porque comer fora de casa se tornou cada vez mais comum”, ressalta Ridaura.

No Brasil, por enquanto, não há nenhum movimento no sentido de taxação de bebidas açucaradas. Mas cada pessoa pode fazer escolhas mais saudáveis e colocá-las em práticas. Se você tiver algum familiar com diabetes tipo 2, essa decisão deve ser tomada o quanto antes, pois nesse caso o risco de desenvolver a doença no futuro aumenta consideravelmente.

terça-feira, fevereiro 23

Nudez: Arte ou Pornografia?


Nosso corpo é uma escultura e talvez a mais bela obra de arte já concebida pela natureza

Todos nós nascemos nus. Quando crianças, meninos e meninas tomam banho juntos, brincam nus e, até aí, tudo é normal. Já na adolescência, as coisas mudam. Seu corpo começa a se transformar, aparecem os seios, os pelos, as espinhas, a primeira menstruação... 

Surge então um “outro olhar” da nudez: vergonha, pudor, medo e culpa.

Na verdade o que mudou, mais do que o nosso corpo, foi a nossa cabeça. Claro, começamos a sentir desejos sexuais, mas, além disso, os valores e a moral da sociedade influenciam muito o nosso modo de pensar. 

Desde a revolução industrial, o corpo (especialmente o da mulher) começou a ser visto e “vendido” como se fosse um carro ou uma televisão, ou seja, daí pra frente a nudez virou sinônimo de pornografia, prostituição, sacanagem, etc...

Esquecemos que, desde a Grécia antiga, os artistas cultuavam o corpo e esculpiam belíssimas estátuas nuas. Na época do renascentismo, artistas como Michelangelo e Botticelli se consagraram pelos seus traços perfeitos, esculpindo e pintando nus. 

Tudo depende de como vemos a nudez. Nosso corpo é uma escultura e talvez a mais bela obra de arte já concebida pela natureza.

Porque não apreciar essa obra, como apreciamos um quadro ou uma bela paisagem?

sexta-feira, outubro 23

Só idosos têm AVC? Sequela é para sempre? O que você sabe sobre a doença?


Durante uma visita ao Brasil, o pai do cantor Michael Jackson sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico associado a um quadro de arritmia cardíaca. Joe Jackson ficou internado durante oito dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O empresário norte-americano foi vítima do tipo mais comum de AVC, que é quando uma artéria do cérebro entope. O outro tipo é o hemorrágico, conhecido como derrame, que é quando um vaso se rompe e extravasa sangue para o cérebro. De acordo com a coordenadora do Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares, Neurologia Intervencionista e Terapia Intensiva em Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Gisele Sampaio Silva, quando o paciente chega a uma unidade hospitalar dentro de 4h30 é possível tratá-lo com um medicamento chamado trombolítico, no caso do isquêmico, que desfaz o coágulo e normaliza o fluxo sanguíneo até o cérebro. Caso isto seja possível, a chance de se ter uma sequela diminui consideravelmente.

"Se o tratamento for feito de maneira rápida, se a artéria foi recanalizada rapidamente, o paciente pode sair totalmente sem sequelas", diz a especialista.

Existem também os pequenos AVCs, chamados de lacuna, que podem ocorrer várias vezes sem que a pessoa perceba, explica o neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz Leandro Gama.

Este tipo da doença, a longo prazo, pode afetar a memória do paciente. O grande problema, segundo o especialista, é que as pessoas não se atentam aos sintomas e perdem tempo para iniciar o tratamento."Os cinco principais sinais de que se está tendo um AVC são fraqueza de um lado do corpo, dormência de um lado do corpo, perda de visão súbita, dificuldade para falar e, por último, uma forte tontura".
Idosos

A doença não afeta exclusivamente pessoas idosas, apesar de ser mais comum em quem tem acima de 55 anos.

"Quando a gente fala em AVC em jovem, nós também apontamos casos em pessoas abaixo dos 55 anos. O fator mais comum em crianças são doenças genéticas. Já nos jovens, é a dissecção das artérias do pescoço, que é quando há uma lesão na parede do vaso que leva o sangue ao cérebro. Esta lesão pode ocorrer por causa de um trauma, por exemplo, como a batida de um carro", diz Gama.

Entretanto, segundo Gama, os jovens possuem uma maior neuroplasticidade no cérebro, que faz com que outros neurônios cubram a função dos que morreram durante o AVC, fazendo com que o paciente se recupere em até 100%.

Segundo os especialistas, a melhor forma de se combater um AVC é a prevenção. Uma boa dieta, associada com exercícios físicos, o controle da pressão arterial, do diabetes, do colesterol e do triglicerídeo diminuem as chances de o indivíduo ter a doença. "Toda vez que a gente fala em uma prevenção, falamos tanto da primária, que é para o indivíduo nunca ter a doença, e da secundária, que é o paciente que já teve o AVC e que deve se prevenir para não ter outro", afirma Gama.

quarta-feira, setembro 23

O Mito do Exame da Próstata

Segundo o Dr. Maluf, é normal a próstata se desenvolver com a idade. O fato de ela crescer não significa que seja câncer, nem que irá se formar um tumor
Em entrevista exclusiva ao Portal Terceira Idade, o urologista Dr. Roberto Eid Maluf fala sobre as causas e tratamentos para o câncer de próstata, que atinge 18% da população masculina

Já está havendo uma desmistificação do exame da próstata. Hoje, o homem já procura espontaneamente o médico, sem a pressão da família ou da esposa que obriga o homem a vir”, relata o Dr. Roberto Eid Maluf, urologista do Hospital Santa Cruz, em São Paulo, e especialista na área pela Sociedade Brasileira de Urologia.

Em entrevista exclusiva ao Portal Terceira Idade, o Dr. Maluf fala sobre o mito do exame da próstata, as causas e tratamentos para o câncer que atinge aproximadamente 18% da população masculina, o que significa um paciente para cada 6 homens.

O mito do exame de toque

Segundo Maluf, o exame da próstata é recomendado a partir dos 45 anos de idade, uma vez por ano. Quando há casos na família, recomenda-se fazê-lo já a partir dos 40. O exame é importante, pois o câncer de próstata não apresenta sintomas. A cura, hoje em dia, é possível sem quimioterapia, através de cirurgia ou de radioterapia.

O exame, que não necessita de preparos, é rápido e indolor. O toque – tão temido pelo público masculino – é necessário, pois, junto com o exame de sangue (PSA), é possível detectar aproximadamente 90% dos tumores de próstata.

As causas podem ser genéticas ou ambientais. Até a alimentação pode influir no desenvolvimento de tumores do órgão. “As comidas gordurosas que os países ocidentais fazem mais consumo poderia ser uma das causas. No Japão e na China, a incidência é rara”, destaca o médico.

“É normal a próstata se desenvolver com a idade. O fato de ela crescer não significa que seja câncer, nem que irá se formar um tumor”, finaliza.

Assista à entrevista completa clicando no vídeo acima.

Alzheimer, a doença do século!


Em homenagem ao dia 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de Alzheimer, a gerontóloga Eva Bettine procura amenizar a sobrecarga emocional, física e social que ocorre com os familiares de portadores da doença.

Nos estágios iniciais do Alzheimer – forma mais comum de demência que afeta pessoas de meia idade e idosos –, a pessoa tem consciência de seu estado e sofre com as perdas graduais e irreversíveis da função cognitiva, do humor e comportamento, apresentando sentimento de angústia, frustração, raiva e estados depressivos. O portador passa a viver num mundo onde os objetos desaparecem, as explicações são rapidamente esquecidas e as conversas perdem o sentido. 

Em fases mais avançadas, a sensação é de que tudo começa a cada momento, o mundo lhes parece estranho e ameaçador, necessitando de atenção, tolerância e cuidados especiais do familiar ou do cuidador. 

Cuidar de uma pessoa com demência é presenciar de forma progressiva a perda da identidade, processo construído durante toda a vida e que vai se perdendo aos poucos. É importante o familiar evitar a sobrecarga emocional, física e social que ocorre ao atender o portador de Alzheimer, buscando ajuda, informações e suporte emocional em grupos de apoio familiar.


Canal ajuda a tirar dúvidas sobre Alzheimer 


foto notícias

Para atender a grande demanda de e-mails de internautas com dúvidas sobre o assunto, o Portal reabre seu canal de interação com seus leitores. 

O canal “Alzheimer: tire suas dúvidas, envie suas perguntas”, coordenado pela gerontóloga Eva Bettine (foto), vice-presidente da ABG (Associação Brasileira de Gerontologia) e colunista convidada do Portal, pretende esclarecer dúvidas sobre como os familiares podem lidar com a doença, como detectar os primeiros sintomas, tratamentos, quando é o momento para consultar um geriatra, entre outras.

Para garantir a privacidade dos internautas, as interações não serão publicadas no Portal. As respostas serão enviadas diretamente para o e-mail do remetente.

Se você tem alguém na família acometido por Alzheimer e tem dúvidas sobre como lidar com a doença, preencha o formulário abaixo.


Clique AQUI tenha acesso ao formulário e tire as suas dúvidas!!


quarta-feira, julho 15

Exercício para a mente é tão importante quanto para o corpo... Sue a camisa e use a cabeça


Jogos de tabuleiro, jogos online ou passatempos impressos estimulam a memória e previnem o aparecimento de doenças degenerativas como o Alzheimer.

Se a sorte no jogo traz azar no amor, não se sabe ao certo... Mas que jogar traz consequências muito benéficas à saúde mental, é fato!

Ao contrário do que se pensa, passar uns minutinhos fazendo palavras cruzadas, jogando jogos de tabuleiro ou mesmo navegando na internet brincando com alguns aplicativos não é coisa de “desocupado”, pelo contrário, atividades desse tipo acabam contribuindo – e muito – para evitar doenças degenerativas como Alzheimer, além de estimular a criatividade, raciocínio lógico, linguagem e memória.

Lado afetivo e estratégia

O que acontece é que os jogos acabam formando e fortalecendo sinapses cerebrais – isso sem mencionar o desenvolvimento de um pensamento lateral rápido, ótimo para solucionar pequenas questões do dia a dia. Os jogos também contribuem para desenvolver o lado afetivo e interpessoal, aproximando o jogador de outros – no caso de jogos coletivos –, sejam eles oponentes ou do mesmo time.

Alguns tipos de brincadeiras induzem o uso de estratégia, blefe, liderança e autonomia, que, quando ausentes na “vida real”, prejudicam a rotina de muita gente. Os passatempos criam situações fictícias para que o jogador encontre uma saída, o que torna a atividade empolgante e desafiadora.

Jogos online no Portal

Se você não sabe por onde começar, que tal dar uma espiadela nas sugestões de jogos recomendadas nesta matéria (veja em ‘mais na internet’, abaixo)? Não há problema em estar ocioso, contanto que seja um ócio produtivo e divertido. Aproveite!
Fotos/ilustrações: divulgação
*Por Bruna Sapiello* 

Sugestões de Jogos  


terça-feira, abril 28

Sorrir faz bem à saúde

Parece piada, mas há quem afirme que dar boas gargalhadas diante de situações que causam dor, como quebrar uma perna, pode amenizar o desconforto. De certa forma, faz sentido: a cada sorriso o cérebro é induzido a produzir e liberar mais endorfina, o neurotransmissor relacionado às sensações de prazer e bem-estar, além de ser um potente analgésico natural.

Mas para os especialistas, não é apenas com um sorriso que a dor intensa vai passar. “Ainda há poucas pesquisas nesse sentido, mas já é comprovado que o sorriso causa uma ação bioquímica no organismo que resulta em reações benéficas, mas não a ponto de cessar a dor intensa”, acredita Sérgio Luís de Miranda, médico e cirurgião especialista em cirurgia buco-maxilo-facial do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). “Dizem até que o sorriso é tão eficiente quanto o relaxamento, a meditação e os exercícios físicos”, completa o dr. Miranda.
Sorrir pode até não ser o melhor – ou único – remédio, mas que faz bem à saúde os especialistas concordam. Pesquisa divulgada em 2006 pela Escola de Medicina da Universidade Loma Linda, na Califórnia (EUA), comprova que o riso colabora para aumentar a produção e a atividade no organismo das células NK (do inglês, natural killers), responsáveis por destruir vírus e até tumores presentes no organismo. E mais: o sorriso vem sendo utilizado como recurso de humanização no cuidado de pacientes em hospitais do mundo todo.

O filme Patch Adams – O Amor é Contagioso, de 1998, em que um médico se veste de palhaço para atender crianças internadas, trouxe o tema para as telas e a realidade americana já é vivida por grupos de atores que, vestidos de palhaços, visitam hospitais para aumentar a auto-estima e alegrar os pacientes, familiares e profissionais da saúde.

Para Ana Lúcia M. da Silva, psicóloga do Departamento de Pacientes Graves do HIAE, o riso pode ser um recurso terapêutico na medida em que altera o estado emocional da pessoa, tornando-a mais favorável a enfrentar situações psicologicamente difíceis, como uma doença grave na família.

“O senso de humor e o sorriso espontâneo estão relacionados a melhor qualidade de vida e percepção de bem-estar, além de favorecer o enfrentamento de adversidades e frustrações. Entretanto, não podemos relacionar a isso maior possibilidade de cura não relacionada a fatores comportamentais, como a adesão ao tratamento, por exemplo”, defende a psicóloga.

Benefícios extras para o corpo

Além de garantir boas doses de endorfina e proporcionar bem-estar, uma boa risada ainda traz vantagens para os sistemas cardiovascular, respiratório e imunológico.
Sistema cardiovascular
É ativado com o sorriso, o que aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de provocar a vasodilatação das artérias. Esse conjunto de reações proporciona maior fluxo de sangue para todo o organismo.

Sistema respiratório

Durante a risada os pulmões passam por uma hiperventilação, o que eleva a concentração de oxigênio na circulação sanguínea e resulta em melhor distribuição de oxigênio aos tecidos.

Sistema imunológico
 
Além de colaborar para a produção das células NK, as boas gargalhadas aumentam a quantidade de saliva, que também é benéfica para a imunidade. “Com o acréscimo da saliva, sobe o nível de imunoglobulina, substância capaz de combater gripes e resfriados”, explica Ana Paula Zalchenko Fonseca, cirurgiã-dentista especialista em cirurgia buco-maxilo-facial do HIAE.

Depois de tantos benefícios, o que vale mesmo é uma risada sincera e natural. Esta sim desencadeia os mecanismos do corpo para a produção de endorfina e a sensação de prazer e bem-estar. Então, sorria! Seu corpo e sua mente agradecem.

quarta-feira, abril 15

Quando o entardecer chega .... o envelhecimento ainda surpreende muitos



No cotidiano da vida, no dia-a-dia, vemos as mais diversas formas de discriminação. O envelhecimento é talvez uma das mais concorridas. Contudo, hoje, entidades estão lutando pelos direitos dos cidadãos idosos, providenciando o cumprimento de leis existentes, e por medidas mais eficazes que inibam e coibam atitudes de maus tratos, deseducadas e a falta de urbanidade do qual o idoso é alvo frágil e fácil.
Idade e cultura


Costuma-se dizer que a idade determinante da velhice é 65 anos, quando se encerra a fase economicamente ativa da pessoa e começa a aposentadoria. Contudo a Organização Mundial da Saúde, através de estudo e levantamento estatístico mundial, elevou essa idade para 75 anos, devido ao aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida.

Em muitas culturas e civilizações, principalmente as orientais, o velho, o idoso é visto com respeito e veneração, representando uma fonte de experiência, do valioso saber acumulado ao longo dos anos, da prudência e da reflexão. Enquanto em outras, o idoso representa "o velho", "o ultrapassado" e "a falência múltipla do potencial do ser humano".


As mudanças

A velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas.

Há duas formas básicas de ocorrer essas mudanças, de maneira consciente e tranquila ou ser sentida com grande intensidade, tudo dependerá da relação da pessoa com a velhice. Os sinais característicos dessas mudanças são nítidos por conta da ação do tempo e social. Vejamos abaixo alguma delas:

Mudanças Físicas: gradual e progressivas: aparecimento de rugas e progressiva perda da elasticidade e viço da pele; diminuição da força muscular, da agilidade e da mobilidade das articulações; aparição de cabelos brancos e perda dos cabelos entre os indivíduos do sexo masculino; redução da acuidade sensorial, da capacidade auditiva e visual; distúrbios do sistema respiratório, circulatório; alteração da memória e outras.

Mudanças Psicossociais: modificações afetivas e cognitivas: efeitos fisiológicos do envelhecimento; consciência da aproximação do fim da vida; suspensão da atividade profissional por aposentadoria: sensação de inutilidade; solidão; afastamento de pessoas de outras faixas etárias; segregação familiar; dificuldade econômica; declínio no prestígio social, experiências e de valores e outras.

Mudanças Funcionais: necessidade cotidiana de ajuda para desempenhar as atividades básicas.


Mudanças Sócio-econômico: acontecem quando a pessoa se aposenta.


Uma geração só vai se preocupar com o envelhecer quando sente que esta nova fase da vida está se aproximando, produzindo sensações de desconforto, ansiedade, temores e medos fantasiosos. Freqüentemente essa ansiedade gera a falta de motivação levando-o a uma depressão, repercutindo organicamente e acelerando o envelhecimento ou provocando distúrbios e dificuldades de adaptação a um novo contexto social.

Estudos recentes comprovam que o avanço da idade não determina a deterioração da inteligência, pois ela está associada à educação, ao padrão de vida, a vitalidade física, mental e emocional. Também é preciso perder o preconceito sobre a idade cronológica das pessoas. Pode-se afirmar que há jovens com 20, 40 ou 90 anos de idade, tudo dependerá da postura e do interesse de cada um.


A sociedade e o mercado de trabalho

Vale fazer um alerta importante, só na América do Sul estima-se que no início deste novo milênio mais de 30 milhões de pessoas estarão com idade acima de 60 anos. No Brasil, só o Estado de São Paulo representará quase três milhões de pessoas ou cerca de 8% dessa população. O aumento desta população tende a expandir ainda mais nas próximas décadas, o que justifica o interesse e a preocupação da sociedade e do governo em criar ações para tratar questões ligadas à velhice.


Hoje todas as empresas precisam vencer os desafios da competitividade e da globalização do mercado comercial. Assim algumas empresas, vêem como saída para esse problema o sangue novo, dispensando os mais velhos de casa e de idade e contratando pessoas mais jovem, mais dinâmicas que consigam alavancar a empresa. Será que essa atitude é correta? Talvez não, dependendo do número de colaboradores que estejam nessa condição a empresa poderá perder seu know-how, sua identidade e empregados que conhecem detalhes do serviço. Além do que essa forma de dispensa poderá ter consequências diretas na perda de sua produtividade e motivação de mão-de-obra, pois quem ficou terá receio que no amanhã isso também poderá acontecer com ele.


Outras empresas para enfrentar os mesmos desafios, utilizam-se da reengenharia de cultura empresarial fazendo um planejamento para os próximos dez anos, assim, se elas tiverem colaboradores alcançando a aposentadoria nesse período poderão programar a saída desses e treinar os mais novos. Gerando uma nova equipe já entrosada, motivada e preparada para multiplicar essa cultura à próxima geração. Uma empresa com pessoas novas e dinâmicas mesclada com pessoas mais maduras, conscientes e experientes, com toda a certeza terá resultados de mercado muito melhores.


Agora, há momentos que não tem outro jeito. É preciso cortar pessoas, os escolhidos serão os mais velhos, não por preconceito mas por necessidade. Então é necessário prepará-los para essa nova realidade, amparando-os, com programas sociais e profissionais, para que aprendam e façam sua escolha de qual o melhor caminho a seguir - se vai procurar outro emprego, dar informações de como fazer, se vai abrir um negócio mostrar como proceder e no caso de simplesmente se aposentar, mostrar como levar uma vida com qualidade. Certamente toda empresa que agir desta forma terá um bom retorno desse investimento, a repercussão positiva na equipe e garantido que as suas metas e objetivos sejam atingidos face à motivação de todos.


Talvez uma das melhores saídas para esse problema seja o Programa de Preparação para a Aposentadoria - PPA, que possui caráter informativo e formativo possibilitando que essas pessoas realizar reflexões, tomar consciência do processo de envelhecimento e quais as atitudes a serem tomadas diante das alterações relacionadas aos aspectos econômicos, sociais e familiares no momento da aposentadoria. As empresas que estão oferecendo o PPA aos seus colaboradores estão colhendo como vantagens nessa relação: a renovação do seu quadro; exercício da responsabilidade social na comunidade; aumento no nível da produtividade; repasse de know-how; motivação e a participação nas metas; imagem positiva da empresa no mercado e a elevação da qualidade de vida no trabalho.


Aposentadoria, trabalho e capacidade


Toda aposentadoria tem suas implicações negativas. É preciso rever essa atitude de aposentar seres inteligentes e capazes de dar muito mais de si pelo mercado de trabalho. A alta competitividade de mercado e o preconceito pela idade tem sido causas frequentes para a dispensa dessa força de trabalho mais experiente, a qual poderia ser recolocada e bem aproveitada.

Recentemente uma empresa publicou uma pesquisa sobre tendências na área de empregos e apresentou uma novidade: o número de vagas com preferência para candidatos maduros, com mais de 40 anos, aumentou mais de 15% nos dois últimos meses de 1999. Os candidatos maduros estão melhor preparados e as empresas descobriram que o preconceito estava provocando a perda de oportunidades para a contratação de talentos já comprovados.

Quando um profissional deixa a empresa e o ambiente em que era respeitado, ele passa a enfrentar o preconceito em relação à idade. Como consequência ele primeiro se revolta, depois busca novas forças e motivações para enfrentar as dificuldades. Com isso ele aprende, desenvolve novas competências e surpreende o mercado de trabalho.


Discriminação

Enfim, o envelhecimento não pode ser visto pela sociedade, família e empregador sob os olhos da discriminação. Não só as pessoas envelhecem, as gerações também envelhecem, sem dar conta dos segundos, minutos, dias, semanas, meses e anos. O envelhecimento irá alcançar com toda certeza a todos, é preciso agir de forma concreta, segura e rápida contribuindo com ações eficazes para resguardar uma etapa da vida humana com maior dignidade, qualidade e respeito. 

Jovem, ao encontrar uma geração mais velha, pense bem nisto antes de mais nada:

" Ele sou eu amanhã. 
Ele, hoje, representa o respeito que quero 
ter também, amanhã . "


Autor: Luciano Spina França 

segunda-feira, março 23

Exercitando a mente através da arte


A arte é uma forma de linguagem, portanto também uma forma de expressão do ser humano. A arte embeleza a vida e possibilita o ser humano a ser versátil e a ter criatividade. A arte é fonte de alegria, quantas vezes não ouvimos pessoas que escrevem poesias dizerem que o coração fica mais gostoso quando expressa algo através da literatura ou por outra forma de arte como a música por exemplo. É que pensar, agir, perceber e sentir estão juntos em todas as situações da vida. A Arte é definida como sendo o belo, o verdadeiro, o bem.

Buscar qualidade de vida e satisfação também é buscar o belo, despertar para a sensibilidade, perceber o que está ao seu redor, não apenas a utilidade dos objetos, mas perceber tudo que existe no mundo de forma material ou natural enxergando a beleza, estética das formas e das estruturas. É preciso perceber o mundo como uma paisagem viva. Só assim os estímulos que estamos expostos nos tornam significativos.

As artes permitem o desenvolvimento e manutenção da mente ativa, estimulando a capacidade abstrata sem fronteiras precisas, sem classificações rígidas, porque a arte transcende a esfera material, a representação. As manifestações artísticas é resultado de alto nível de criatividade, de idéias originais. Com o processo de envelhecimento mesmo com mudanças biológicas não é verdade que os sentidos se embotam, enquanto houver boa saúde e mente estimulada é possível submetê-los a exercício. Para o exercício de uma arte, como para toda destreza corporal de maneira geral é preciso experimentar sensações no conjunto do corpo. A arte nos dá a possibilidade de concretizar a imaginação e aumentar assim a compreensão daquilo que se exercita, estimulando funções cognitivas e criando conceitos importantes na mente, além de fazer brotar sentimentos de alegria. A arte nos permite experimentar sensações agradáveis.


Vejamos algumas das principais formas arte que nos causam impressões, sensações atingindo nossos sentidos.

A poesia, por exemplo, ou gênero lírico é uma das sete artes tradicionais, por meio da qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos.

O sentido da mensagem poética também pode ser importante (principalmente se o poema for em louvor de algo ou alguém). Num contexto mais amplo, a poesia aparece também identificada com a própria arte. A poesia, no seu sentido mais restrito, parte da linguagem verbal e, por meio de uma atitude criativa, transfigura-a da sua forma mais corrente e usual (a prosa), ao usar determinados recursos formais.

A pintura que consiste na técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma superfície bidimensional, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas.

Em um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, tais como papel, tela, ou uma parede (pintura mural ou de afrescos). A pintura a óleo é considerada por muitos como um dos suportes artísticos tradicionais mais importantes; muitas das obras de arte mais importantes do mundo. Diferencia-se do desenho pelo uso dos pigmentos líquidos e do uso constante da cor, trabalhando impressões luminosas que chegam à retina estimulando a visão.

A Música, que é um dos ramos da Arte, está inteiramente no domínio da sensação. A Música, melhor do que a palavra representa o movimento, exercendo efeitos diversos nos indivíduos. A reunião da música e da dança, duas formas de expressão artística se fortalecem formando uma só arte. A Dança é uma das três principais artes cênicas da Antigüidade, ao lado do teatro e da música. Caracteriza-se pelo uso do corpo seguindo movimentos previamente estabelecidos coreografados ou improvisados, livres. Na maior parte dos casos, a dança, com passos cadenciados é acompanhada ao som e compasso de música e envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela. A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento.

Durante muitos anos a dança foi considerada apenas como um instrumento de recreação e lazer. Tanto os médicos quanto os leigos, ao pensarem numa atividade física adequada para idosos, consideravam apenas a hidroginástica e a caminhada. Hoje sabemos que a dança é uma atividade física positivamente associada à saúde psicológica e ao bem estar emocional dos idosos.

E por fim, outra forma de expressão artística que também estimulam reações sensíveis, alegres e exercita a memória e a retórica é o teatro. O vocábulo grego Théatron estabelece o lugar físico do espectador, “lugar onde se vai para ver”. Entretanto, o teatro também é o lugar onde acontece o drama frente à audiência, complemento real e imaginário que acontece no local de representação. Ele surgiu na Grécia antiga, no século IV a.C. Toda reflexão que tenha o drama como objeto precisa se apoiar numa tríade: quem vê, o que se vê, e o imaginado.

No teatro ator, ou conjunto de atores, interpreta uma história ou atividades, com auxílio de dramaturgos, diretores e técnicos, que têm como objetivo apresentar uma situação e despertar sentimentos na platéia. Uma importante forma de arte que também são expressões exteriores que estimulam capacidades abstratas e a imaginação. O teatro deveria ser incorporado às atividades dos centros de convivência para idosos e Faculdades Abertas à Terceira Idade.

O trabalho criativo exteriorizado de forma espontânea nos traz satisfação, alegria, qualidade de vida, mente ativa e movimentam nosso íntimo. A arte nada mais é do uma psicologia prática. A pessoa que exercita seus dons artísticos adquire o hábito de observar seus próprios sentimentos e de transformá-los, exercitar o autoconhecimento.

Procure buscar seus valores artísticos, não existem limites para a criatividade e inspiração. A arte não é questão de gênios, só exige motivação e sensibilidade. Todos somos capazes de expandir nossas competências e habilidades, uns mais, outros menos. O importante é deixar desabrochar a mais nobre inspiração e criar o que você acha que poderá ser contemplado, produzindo sensações positivas, produzindo obras-primas que penetrem a alma. Depois é só uma questão de treino e aperfeiçoamento. Assim você estará exercitando a mente. Não existe alegria maior que a de perceber que nós podemos, ainda, chegar a resultados incríveis a partir de faculdades que dormem em nós.


Fonoaudióloga, Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da Unicamp,

segunda-feira, dezembro 29

Ex-bancários se tornam cuidadores de idosos no Japão

Idoso: no Japão, estima-se que 8 milhões de pessoas têm demência ou mostram sinais de estar desenvolvendo a doença
Tóquio - Eles entravam no banco e pediam seu dinheiro. Yuriko Asahara, atrás do balcão, verificava onde eles o colocavam: no bolso lateral de uma sacola de mão ou talvez no fundo de uma bolsa.

Asahara não estava espionando. Ela sabia que uma ou duas horas depois teria que lembrá-los novamente. Muitos dos seus clientes sofriam de demência senil e ao longo de duas décadas a gerente de banco se tornou uma especialista autodidata na doença.

Mundialmente, um total estimado de 44,4 milhões de pessoas sofre de demência e a projeção é de que o número triplicará para 135,5 milhões em 2050 com o envelhecimento da população, estima a Alzheimer’s Disease International, a associação internacional sobre a doença.

O problema é mais agudo no Japão, onde estima-se que 8 milhões de pessoas têm demência ou mostram sinais de estar desenvolvendo a doença. Até 2060, 40 por cento dos japoneses terão mais de 65 anos, fatia maior que a atual, de 24 por cento, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e de Seguridade Social do país.

“No início eu não entendia por que elas perdiam coisas tantas vezes em um mesmo dia e me frustrava”, disse Asahara, ex-gerente de uma agência da Japan Post Holdings Co., maior detentor de depósitos bancários do país. “Aos poucos eu aprendi a olhá-los nos olhos e a tentar sentir o que poderia estar ocorrendo em suas mentes”.

O governo japonês, confrontado por uma dívida recorde, está aumentando as tarifas e reduzindo o acesso aos lares de idosos financiados pelo Estado. Com cerca de 520.000 idosos nas listas de espera por um lugar, muitos passam os dias vagando por shopping centers e indo aos seus bancos para verificar suas poupanças.

Mais empatia

As empresas estão incentivando trabalhadores como Asahara, 64, que se aposentou neste ano, a ajudar idosos esquecidos a se guiarem em suas lojas.

O impulso vem, em parte, de um senso de dever cívico. E também da percepção de que ajudar os mais velhos é bom para os negócios. O mercado de bens e serviços adquiridos por idosos atingiu 100 trilhões de ienes (US$ 830 bilhões) em 2012, segundo o NLI Research Institute, em Tóquio.

As corporações que miram negócios para os mais velhos fazem parte de um fenômeno nacional que ocorre em um Japão que está envelhecendo. Cerca de 5,4 milhões de pessoas, de gestores imobiliários a funcionários de bancos e de lojas e até crianças, fizeram um curso financiado pelo governo para aprenderem sobre a demência e sobre como se comportar melhor com pessoas que mostram sinais da doença.

Muitas autoridades de países desenvolvidos prometeram combater a demência, enfatizando o cuidado com base na comunidade. Em dezembro do ano passado, o Grupo dos Oito países estabeleceu uma meta de encontrar uma cura para a demência ou uma forma de modificar o curso da doença até 2025.

“Existe uma compreensão de que não deveríamos confinar as pessoas”, disse Marc Wortmann, diretor-executivo da Alzheimer’s Disease International. Em vez disso, as comunidades deveriam “tentar integrá-las e mantê-las na sociedade”.

Banco de Asahara

Mais de uma dezena de clientes precisavam de uma assistência a mais na agência bancária de Asahara, segundo a ex-gerente. Ela e cinco colegas aprenderam a ser pacientes e a escutar.

Eles passavam horas ajudando esses clientes a encontrar senhas perdidas, zerar PINs para caixas automáticos e entender suas contas de serviços públicos. Muitos clientes idosos ficam obcecados com o dinheiro, disse Asahara.

A agência que Asahara gerenciava está localizada no coração de Nagabusa, que fica fora do centro da cidade de Tóquio e representa muitas das cidades do subúrbio do país que estão envelhecendo. A área é ocupada por fileiras de apartamentos parecidos onde moram mais de 3.000 famílias. Construídos nos anos 1960 e 1970, eles receberam famílias jovens quando Tóquio organizou as Olimpíadas em 1964 e a economia do Japão teve uma rápida expansão.

Cinquenta anos depois, os moradores envelheceram e seus filhos se mudaram. Os idosos acima de 65 anos respondiam por 29 por cento da população da área em 2011, acima da média nacional, segundo dados do governo.

Asahara, que assumiu o emprego de sua mãe, viu o bairro mudar ao longo dos anos. “Pouca coisa me fazia imaginar que seria assim quando eu comecei”, disse ela. “Mas esta é a realidade de um país que está envelhecendo”.

Agora que Asahara se aposentou, seu filho Takushi Asahara, 36, que ingressou no Japan Post há alguns anos, assumiu o posto dela. Há oito meses no cargo, ele disse que a extensão do envelhecimento da comunidade excedeu o que ele havia imaginado.

Takushi disse que fica impressionado de ver como os funcionários que trabalham na agência tratam os clientes idosos.

“No começo eu pensava que a agência deveria focar em expandir o negócio em vez de gastar tanto tempo lidando com os idosos e seus problemas”, disse ele. “Eu aprendi que eu estava errado. Nós precisamos cuidar bem deles para a nossa sobrevivência”.


terça-feira, dezembro 16

Estudo lista 5 regras de ouro’ para prevenir demência


Uma revisão de estudos acadêmicos feita pela ONG britânica Age UK identificou cinco passos que podem ajudar idosos a manter a saúde do cérebro e reduzir os riscos de se desenvolver o Mal de Alzheimer e outras formas de demência.

Segundo a organização, cerca de 76% do declínio cognitivo - mudanças nas habilidades cerebrais, que incluem perda de memória - está associado ao estilo de vida do idoso e a outros fatores ambientais, como o nível de educação.
E essas mudanças nas habilidades cerebrais podem ser influenciadas por hábitos cotidianos.

"Ainda que não haja cura ou formas de reverter a demência, (os estudos) indicam que há formas simples e eficientes de reduzir o risco", declara Caroline Abrahams, diretora da Age UK, em comunicado da ONG.

"E mais, as mudanças que precisamos fazer para manter nossos cérebros saudáveis já se provaram boas para o coração e para a saúde em geral. Quanto mais cedo começarmos, melhores as nossas chances de termos uma vida saudável nessa etapa da vida."

Um dos estudos revisados pela Age UK - e realizado ao longo de 30 anos - percebeu que homens de 45 a 59 anos que seguiram ao menos quatro dos cinco pontos listados reduziram em mais de um terço seus riscos de perda cognitiva e de demência em relação aos demais.

Exercícios físicos regulares

Exercícios aeróbicos, de resistência ou equilíbrio se mostraram como o modo mais eficiente de evitar o declínio cognitivo entre idosos.

"Estudos sugerem que exercitar-se três a cinco vezes por semana, entre 30 minutos e 1 hora, é benéfico", diz a Age UK.

Uma das sugestões da ONG é que idosos que não tenham problemas de mobilidade incorporem caminhadas em suas rotinas - caminhar ao supermercado em vez de dirigir; usar escadas em vez de elevador; mesmo ao dirigir, parar um pouco mais longe do ponto final, para andar pelo menos parte do percurso; planejar caminhadas em lugares agradáveis no final de semana.

Dieta mediterrânea

Em levantamento publicado no ano passado, pesquisadores analisaram os hábitos alimentares de 17,4 mil pessoas com uma idade média de 64 anos. E as que tinham uma dieta que se aproximava da mediterrânea tiveram seu risco de deterioração mental reduzido em quase um quinto.

A dieta mediterrânea é rica em ácidos graxos ômega-3, encontrados em alguns peixes, nozes e linhaça -, além de incluir muitos vegetais e frutas frescos, que têm pouca gordura saturada. Tudo isso ajuda o sistema nervoso e o cérebro, além de ter efeitos positivos já identificados sobre a memória.

Não fumar

Os dados revisados pela ONG apontam um número significativo de casos de demência entre fumantes em comparação com quem nunca fumou.

Beber álcool com moderação

Beber em excesso também está relacionado a maior risco de demência - causando perdas de tecido cerebral sobretudo em partes do cérebro responsáveis pela memória e pelo processamento de informações visuais.

Ao mesmo tempo, o consumo moderado de álcool parece proteger o tecido cerebral, ao aumentar o bom colesterol e baixar o mau.

Prevenir e tratar a diabetes, pressão alta e obesidade
Um estudo global apresentado em setembro pela entidade Alzheimer’s Disease International apontou que pessoas que sofrem de diabetes têm chances muito maiores de desenvolver demência.

O estudo não consegue precisar até que ponto a diabetes em si aumenta os riscos de demência, mas identificou que pessoas portadoras da diabetes tipo 2 - a mais comum - também têm mais probabilidade de sofrerem de obesidade e outros problemas de saúde que tendem a aumentar o risco de demência.

Paz!