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quarta-feira, junho 21

Eles colocaram a creche dentro do asilo e isso mudou a vida de todos


“Idosos são crianças grandes que não perdem a inocência e ainda ganham com a experiência”.

O que crianças podem oferecer aos idosos? Uma casa de repouso em Seattle, nos Estados Unidos, a Providence Mount St. Vincent, quis saber como seria a integração dos dois extremos da vida. E parece que o programa “The Intergenerational Learning Center” (ILC), Centro de Aprendizagem Intergeracional, em tradução livre, está dando muito certo.

A creche, que recebe crianças com idade entre seis semanas até a pré-escola com cinco anos, fica no mesmo prédio da casa de repouso que conta com 400 idosos. O convívio entre eles é de emocionar-se. As atividades dos pequenos são feitas em conjunto com os idosos supervisionados pelos professores.

O programa, além de ensinar as crianças sobre o envelhecimento, quer criar uma sensibilidade em como conviver com pessoas com deficiências ou movimentos limitados.

No outro lado da história estão os idosos que também saem ganhando com o convívio diário. De acordo com estudos realizados pelo ILC, 43% dos idosos têm uma experiência social de isolamento que pode levar a solidão, depressão, declínio mental e físico. E o que as crianças têm levado a eles é o oposto: diversão, alegria e um sentimento de que não foram esquecidos e que ainda têm muito para ensinar.


quarta-feira, setembro 28

Idosos de asilo em Palhoça recebem cartas de crianças por meio de palhaços "doutores"


Quantas lembranças, emoções e sentimentos podem caber em um pedaço de papel vindo de um desconhecido? Qual o valor de receber uma carta, de enviar uma carta? Imensurável. Esta foi a resposta que os "doutores" do projeto Doses de Alegria descobriram no último sábado, ao fazerem a primeira entrega como palhaços carteiros das"Mensagens de Alegria".

A visita dos doutores já costuma ser motivo de encantamento para os 24 residentes da Casa Santa Maria dos Anjos, em Palhoça, mas no último sábado, foi ainda mais especial. Junto com o carinho habitual e a animação, o grupo levou cartas de crianças escritas especialmente para cada um dos velhinhos, entregou em mãos e leu para eles.

Maria conseguiu ler sozinha
Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

As reações diante do gesto tão simples emocionou quem via de fora. Para os idosos, a maior parte com problemas físicos ou mentais, como esquizofrenia, Alzheimer ou demência, receber os envelopes parece ter despertado as melhores memórias, de um tempo em que o afeto de quem estava longe chegava pelo correio para amenizar as saudades. 

Sentada no sofá, Mábile Viscari Demazi, 94 anos, mal contia o riso e a emoção enquanto a doutora Xarope de Morango, Nádia Villani Ruy, lia a cartinha para ela. No final, beijou a foto da menina que quer ser sua amiga, e disse que gostou muito, antes de guardar no bolso bem protegida. 

Enquanto os palhaços iam entregando as primeiras cartas, a curiosidade de quem ainda não havia recebido começava a aguçar. Na hora que recebeu a sua das mãos do Dotormentado dos Teclados, Renato Rech, a senhora Maria Nienkitter, 87 anos, fez o maior esforço para ler por conta própria.

— Não conheço essa criança, mas gostei muito. Consegui ler um pouco, mas depois a vista não deu mais. Eles vão vir aqui? — questionou.

Leonila gostou da carta 
Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

Leonila Matilde Ludwig, 90 anos, recebeu duas cartinhas, e achou as crianças muito bonitas: 

— Eles de certo sabiam que eu era bonita também — falou em meio a uma gargalhada.

A residente Francisca Jacob de Mattos, totalmente lúcida aos 93 anos, mesmo com dificuldades na vista, passa os dias fazendo bordados e adorou receber a carta: 

— Não consigo ler mais por causa da catarata, mas gostei muito que leram para mim. A menina que mandou a carta lembra uma sobrinha minha quando era pequena. Fiquei curiosa para conhecer as crianças, estamos aguardando a visita — disse. 

A previsão é que o encontro entre os idosos e as crianças aconteça em novembro.

Mensagens de Alegria

O projeto Mensagens de Alegria foi desenvolvido por Nádia Villani Ruy, idealizadora do projeto "Doses de Alegria", que transforma voluntários em doutores palhaços, levando música, abraços e carinho em asilos e hospitais da Grande Florianópolis. 

Há cerca de três anos ela teve a ideia, e inicialmente seria realizado de forma online, para que pessoas de todo o Brasil pudessem "adotar" um idoso. Como não houve adesão, o projeto ficou parado por um tempo, até que foi apresentado a uma escola que topou a ideia e no último sábado aconteceu a primeira entrega de cartas:

— Pela reação dos idosos a gente viu o quanto gostaram. A carta remete ao passado, resgata lembranças. Para as crianças também foi maravilhoso, hoje em dia eles nem sabem o que é mandar uma carta, tiveram alguns que pediram para os pais colocarem até o selo — contou.

Emocionada, ela diz que a realização do projeto trouxe uma mistura de emoções:

— A leveza desse dia, a mistura das ações com reações provocaram uma fusão, confusão de sentimentos onde a alegria, carinho, orgulho, gratidão, emoções se misturavam e não se continham no coração explodindo em forma de amor. Por que um gesto tão simples como uma entrega de cartas com mensagens positivas pode provocar tudo isso? 

Francisca se diverte com a visita das "dotoras"
Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS

Palhaços foram buscar cartas em escola

Se para os idosos receber as cartas foi emocionante, para os alunos do colégio Estimoarte, na Costeira, escrever também foi motivo de alegria e expectativa. As professoras passaram um vídeo em sala de aula para cerca de 100 crianças de 3º e do 5º ano em que mostrava imagens do projeto Doses de Alegria visitando asilos. Muitos deles não sabiam o que era um lar de idosos, e de maneira didática as professoras explicaram que muitos daquelas pessoas não tinham mais família, sofriam de doenças físicas e mentais, e precisam de carinho e amigos.

Deste modo, foi feita a proposta para que as crianças escrevessem a carta se apresentando, falando um pouco sobre elas e enviassem uma foto. Cada aluno recebeu somente o nome do idoso, o que aguçou ainda mais a curiosidade para saber quem são eles. 

A aluna do 3º ano, Laura Firmino Garcia, 9 anos, recebeu o nome do senhor Zuza. Em sua mensagem, contou que gosta de brincar e também de estudar. No final, disse que espera que a carta seja o início de uma grande amizade.

Já a colega Maria Clara Antunes Campos, 10 anos, aproveitou para perguntar para o seu velhinho o que ele gosta de fazer, contou que tem dois animais de estimação e também toca flauta: 

— Acho que ele deve ser muito legal, estou muito curiosa para conhecer ele, porque eu não tenho nenhum avô vivo — disse a menina.

Laura enviou uma carta para Zuza
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A professora Simone Zenilda da Silva, do 3º ano, conta que a maior preocupação dos alunos era em como poderiam ajudar os idosos:

— Muitos perguntaram aonde estava a família deles. Agora eles vão escrever todo mês uma carta até o encontro em novembro — explicou. 



domingo, janeiro 10

Na Finlândia, há quem viva num lar de idosos aos 20 anos


Projeto para fomentar relações entre duas gerações diferentes e oferecer alojamento mais barato aos jovens começou esta semana

É comum, na Finlândia, que os jovens saiam de casa dos pais aos 18 anos. Mas as dificuldades para arranjar emprego estável têm obrigado os finlandeses - assim como tantos outros jovens em toda a Europa - a deixar a casa da família cada vez mais tarde. Também não ajuda o mercado de arrendamento: segundo um índice da Global Property Guide, a capital finlandesa é a 16.ª cidade, a nível mundial, onde sai mais caro arrendar uma casa, pior do que em Genebra ou Nova Iorque. Apesar de haver, em Helsínquia, a possibilidade de ficar com um dos imóveis geridos pela cidade, com preços mais acessíveis, a lista de espera é extensa.

Por isso, os responsáveis do município decidiram procurar alternativas para os jovens e lançaram o projeto 'Oman Muotoinen Koti', que se traduz como "a casa que se adapta". A ideia, conta a CNN, é oferecer aos mais jovens alojamento a preços acessíveis, pequenos estúdios dentro de lares de idosos, com uma condição para os arrendatários: que dediquem pelo menos cinco a três horas do seu tempo semanal aos novos vizinhos.

Segundo Miki Mielonen, representante do departamento da juventude da cidade de Helsínquia, há por trás deste conceito um duplo benefício: para os jovens, que conseguem casas mais baratas, e para os mais velhos, sem grandes hipóteses de convivência fora dos lares.

A inspiração foi um programa semelhante lançado na cidade de Deventer, na Holanda, que oferece alojamento gratuito aos estudantes universitários em troca da interação social com os idosos. Quando a proposta foi lançada em Helsínquia, no final do ano passado, foi um êxito: só nos primeiros dias teve cerca de 300 solicitações através do Facebook. Não é difícil perceber porquê, dizem os autores dos pedidos: os apartamentos tipo estúdio têm 23 metros quadrados com casa de banho, espaço de arrumação, cozinha e varanda.

O aluguel no lar de idosos custa 250 euros por mês, cerca de um terço do preço médio do arrendamento na capital finlandesa, esclarece o governo. Os participantes no programa, por outro lado, consideram que a condição de conviver com os idosos nem sequer é um sacrifício, mas uma "oportunidade": "Eles já viveram muitos anos e têm muitas experiências. Respeito isso, portanto posso escutar se quiserem contar-me algumas histórias", disse à CNN Veera Dahlgren, uma jovem de 18 anos que se candidatou a um dos estúdios.

Os responsáveis pelo projeto garantem mesmo que todos os jovens que responderam ao anúncio estão dispostos a dedicar mais do que as três a cinco horas pedidas aos novos vizinhos. Após um rigoroso processo de seleção, os que foram escolhidos têm capacidades que lhes permitem participar em várias atividades, desde 'workshops' de culinária ou tocar um instrumento para os mais velhos.

Apesar de reconhecerem que alguns dos idosos não quererão partilhar o seu espaço com os mais novos, a expetativa da câmara de Helsínquia é de que se criem relações positivas e laços entre duas gerações.

quarta-feira, julho 31

Interação com cachorros pode ajudar pessoas com demência


A interação estruturada com um cão pode ajudar a melhorar a saúde mental e as funções físicas de pessoas com demência, aponta uma nova pesquisa da Universidade de Maryland (EUA). O estudo analisou adultos com demência em residenciais para idosos e encontrou uma diminuição na depressão após a realização de um programa que envolveu interação regular com um cão. O estudo também indicou uma tendência para a melhoria da função física.

“O estado funcional dos idosos com demência pode deteriorar-se rapidamente, o que frequentemente leva à transferência para casas de repouso especializados em doentes mentais” disse a coordenadora do estudo e professora da Universidade de Maryland, Erika Friedmann.

“Esta pesquisa fornece evidências importantes sobre os benefícios da interação com animais domésticos para pessoas com demência. Ao melhorar a saúde mental e função física, estes tipos de programas podem ajudar as pessoas a manterem a sua independência por mais tempo” afirmou a pesquisadora.

O estudo envolveu 40 idosos com demência domiciliados em residenciais. Os participantes tiveram duas sessões de 60 e 90 minutos por semana durante três meses em que eles foram incentivados a interagir com um cão. Isto incluiu cuidar do animal utilizando habilidades motoras finas e grossas. Alimentar o cão, ajustar sua coleira, caminhar com o animal e acariciá-lo foram algumas das atividades desenvolvidas. As sessões também envolviam o uso de habilidades sociais, como conversar com o cão, falar sobre o cão para os outros, e dar os comandos ao animal.

Os resultados mostraram que os participantes que interagiram regularmente com um cão tiveram melhorias nas suas funções emocionais em comparação com o grupo controle, como pode ser visto pela diminuição na frequência de depressão. Os participantes do estudo também demonstraram uma tendência para a função física melhorada em comparação com o grupo controle, com um aumento de atividades físicas em todos os dias ao longo do tempo.

A pesquisa foi apresentada na conferência trienal da Associação Internacional de Organizações de Interação Homem-Animal (IAHAIO), realizada no mês de julho, em Chicago.


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