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quarta-feira, agosto 6

Mesmo com alta, pacientes são largados por famílias em hospitais

Imagem DAQUI

Maria foi internada em estado grave no Hospital de Clínicas de Curitiba (HC), vítima de uma complicação renal. Em dois meses estava com o quadro estabilizado e pronta para voltar para sua casa. Porém, com 78 anos, Maria precisava de um cuidador que a levasse a sessões de hemodiálise três vezes na semana e só sob esta condição poderia deixar o hospital. Foi em razão das falhas no tratamento que Maria acabou na UTI do HC.

Por oito meses, a idosa ficou no hospital à espera do filho, único familiar que ainda tinha. Mas o homem, caminhoneiro, alegou não ter condições de busca-lá e assim Maria fez do HC sua casa provisória. Fez amizades com enfermeiros, médicos e o pessoal da assistência social. Insistia em ir para casa, da qual era dona, mas sozinha, foi impedida. No oitavo mês, a senhora, já com sinais de depressão, teve uma infecção hospitalar e faleceu.

Nem mesmo o corpo de Maria o filho foi buscar. Pediu que um parente da esposa fosse até o hospital fazer a liberação. “Foi uma história que me marcou muito. Porque ela falava, andava, estava bem, tinha a casinha dela, simples, mas tinha”, lamenta Solange Gezielle dos Santos Coning, supervisora técnica do Serviço Social do HC.

Esta é apenas um das tristes histórias de pacientes abandonados por familiares em unidades hospitalares em Curitiba. Em sua maioria são idosos e, apesar de ter casos em que a condição social é realmente um empecilho, há também as lamentáveis histórias das famílias que aproveitam da doença para “se livrar” do peso de ter de cuidar de um parente com necessidades médicas e especiais.

Nem mesmo o Ministério Público tem conseguido reverter este cenário que é muito comum nas unidades médicas. E nesta série de matérias “Deixados para trás”, o Paraná Online vai mostrar a dificuldade dos hospitais para conduzir a situação e como o MP e entidades atuam neste problema para encontrar soluções que não coloquem em risco a vida dos pacientes. A série mostrará ainda a dificuldade das famílias que não conseguem atender às necessidades de seus parentes que já estão com alta, mas que precisam de atendimento especial e integral em casa. E também traz uma reportagem sobre pacientes moradores de hospitais psiquiátricos.

HC e UPAs têm 21 abandonados - Hoje, o Hospital das Clínicas tem seis pacientes em situação semelhante à de Maria, chamados de pacientes abandonados. Todos com alta, mas sem um familiar interessado em buscá-los. Alguns visitam esporadicamente, perguntam como estão e vão embora. No Hospital do Trabalhador são dois casos. Mas Cajuru, Evangélico, Santa Casa e até o Pequeno Príncipe já tiveram registros de casos de abandono. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a Fundação Social de Curitiba (FAS) atende 15 casos. Em sua maioria, esses pacientes são idosos deixados por filhos, cônjuges e outro familiar com quem viviam.

No HC são quatro mulheres e um homem que já chegaram à terceira idade. A sexta paciente tem 55 anos. Uma das idosos espera para voltar para casa há três anos. Com 83 anos, precisa de cuidados especiais, pois não se locomove sozinha e faz uso de fraldas geriátricas. “Ela tem momentos de lucidez, fala nos familiares, mas ainda está aqui. Os cuidados que ela precisa são simples, que qualquer um pode prestar. Sem falar que há treinamento para que os familiares possam atender bem o paciente”, explica Solange.

Há seis anos no Serviço Social do HC, hoje Solange acompanha dois pacientes que estão há três anos no hospital, um que está há um anos e outros três com apenas alguns meses. Todos restritos ao leito, e com exceção da senhora de 83 anos, os demais estão com algum equipamento invasivo, como sondas. Mas de acordo com a assistente social, todos com condições de serem tratados em casa, até por conta da rede pública de atendimento que dá o suporte necessário. “Tentamos resolver com a família, conversamos, já preparamos antes para que eles fiquem prontos no momento da alta, mas quando não temos resposta começa o processo judicial com o Ministério Público”, conta Solange.

A assistente social conta ainda que na maioria das vezes as famílias afirmam não ter condições para cuidar do paciente. Mas para ela, a insegurança também pesa nesta decisão. “As famílias se sentem mesmo inseguras, mas com o treinamento podem dar todo atendimento necessário. São atendimentos básicos. E estes pacientes precisam não só deste cuidado, como do afeto das famílias”, acrescenta Solange.

Para a diretora de Proteção Social Especial da FAS, Angela Mendonça, é preciso ter moderação ao falar e tratar de cada um dos casos de pacientes que estão ocupando vagas nas UPAs, mas já com alta e na espera por familiares.

Cada caso precisa ser analisado antes de chegar à alçada judicial, com intervenção do MP. “São situações em que a família precisa de ajuda, tem que ter cuidado. Só quando a família não quer mesmo ficar com o paciente acionamos o Ministério Público. Nem todo caso é de abandono, mas de falta de condições mesmo”, explica Angela. O promotor da defesa dos Direitos do Idoso, Mario Luiz Ramidoff, atua em casos de abandono em hospitais, mas alerta que antes de qualquer medida é preciso ver que tipo de assistência as famílias estão recebendo.

“É preciso um apoio institucional às famílias, que muitas vezes não têm. Não podemos somente criminalizar”, explica. Enquanto as diferentes entidades tentam chegar a uma solução, os pacientes seguem em seus leitos à espera do afeto das famílias.

Vagas sempre ocupadas - A permanência do paciente na unidade médica após a alta não traz à tona apenas a uma realidade de desapego e desinteresse familiar e suas necessidades socioeconômicas para atender um parente com necessidades. Um paciente em alta que precisa ficar na unidade hospitalar limita também o uso dos leitos. No Hospital das Clínicas, conforme levantamento feito pelas unidades que abrigam pacientes em alta, o número de atendimentos que deixam de ser feitos é alto. Os seis pacientes que estão no HC ocupam leitos que deveriam estar sendo usados como Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou leito de isolamento para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na unidade de Neurocirurgia, o leito ocupado por um idoso que está de alta desde outubro de 2011, 110 pacientes poderiam ter sido atendidos neste período. Na cardiologia são dois pacientes, um de alta desde junho de 2011 e outro mais recente, de maio deste ano. Ambos impediram que 106 pacientes fossem tratados nos respectivos leitos. Somando o período de cinco leitos ocupados, são 261 pacientes que poderiam ter sido atendidos . Estes pacientes estão internados nas unidades de Neurologia, Cardiologia (duas diferentes) Neurocirurgia e Clínica Médica. Segundo a assessoria de comunicação do HC, o número é estimado. O cálculo foi realizado levando em consideração o número total de dias em que o leito permanece ocupado, pelo tempo médio de ocupação dos leitos, em cada especialidade.

Fonte 

terça-feira, fevereiro 11

O tempo não faz milagres


Alguém acredita no milagre da máquina do tempo? Lembremos que, o idoso de hoje é o que moços atuais de braços fortes, virilidade momentânea, serão amanhã. 

Fugir da real, achar que tudo é para sempre, somente o brilho da luz do dia, a aparência das águas oceânicas, o verde das plantas, o infinito do céu, a mãe natureza, são capazes desse feito. Somos como o maracujá trancado numa gaveta qualquer, que com o passar de dias, vai se enrugando, criando mofo. 

Infelizmente, nos dias atuais o crime de maus tratos contra idosos está se tornando uma cultura das mais terríveis. E o que é mais acintoso: A maioria de causadores dos maus tratos contra idosos está na própria família, que deveria servir como exemplos de dedicação. 

Maus tratos é todo ato covarde, único ou repetitivo, ou até omissão velada, que pode acontecer contra qualquer pessoa, mas contra a pessoa idosa é pior ainda, devido as suas fragilidades físicas. 

Carrascos de idosos são aqueles que não imaginam suas velhices, descarregam suas frustrações, até abusam financeiramente de quem deveria cuidar, como também roubam seus bens conquistados com muita luta ao longo de anos. 

No artigo 10 do estatuto do idoso, consta sobre a obrigatoriedade do Estado e da sociedade em assegurarem à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis. 

Disse-me outro dia uma senhorinha de fisionomia sofrida, quase cem anos de vida: “Tenho filhos, netos, bisnetos, tataranetos, penta netos, mas é como se eu não os tivesse, pois eles não me visitam”. “Se eu encontrá-los casualmente, talvez não consiga reconhecê-los mais.” “Não tenho posses, por isso sou esquecida”. “A situação poderia ser bem pior, se eu fosse uma idosa sem movimentos nas pernas, nos braços, memória enfraquecida, mas por enquanto estou viva até quando Deus me chamar”. “O que pode um idoso fazer da vida, se não esperar pela vontade de Deus”?

quinta-feira, outubro 10

IDOSOS: Uma reflexão!

Eu diria que este vídeo vai além do preconceito, ele atinge a CRUELDADE da alma humana incapaz de lançar um olhar piedoso sobre o necessitado

Sim! porque ao agredir, desprezar, abandonar e maltratar um ser que não está em condições de defender-se, além de crueldade é uma terrível COVARDIA. 

Não importa quem tenha sido aquela criatura quando jovem, o que importa é o AGORA. Neste momento ele é um ser fragilizado carente de amparo e cuidados e, se você NÃO GOSTA de idosos, não cuide, não visite, não cumprimente mas também e sobretudo, NÃO O MALTRATE!
Se você sabe de casos de maus tratos a idosos, DENUNCIE! 
Deus tenha misericórdia de todos nós!

domingo, maio 26

*Idosos Abandonados Pelos Filhos*


Sempre que tenho dúvidas sobre palavras, sua etimologia, suas analogias busco ajuda de meus dicionários. Aí então gosto mesmo dos tradicionais em papel, Aurélio, Houaiss etc. E não precisa ser palavra difícil. O que importa para mim é o significado primitivo do termo, de onde nosso idioma o herdou.

Falo aqui de abandono, um termo que com frequência ocupa noticiário e outros temas das relações humanos. O verbete tem origem na língua francesa como deverbal de abandonar ( do fr. abandonner ). Abandonar: deixar, desamparar, não cuidar de, desprezar, ao abandono: seu auxílio, sem proteção, sem cuidado ou tratamento.

O ser humano tem duas fases vulneráveis ao abandono, a infância e a senilidade (velhice). Aliás, todos os animais tem esta vulnerabilidade, no alvorecer e no ocaso da vida.

Todos os dias somos surpreendidos com notícias dessa grave epidemia que assola nosso país, o abandono de pessoas incapazes, crianças e idosos. Meu foco dessa matéria será o idoso, grupo etário em risco com o qual eu lido diuturnamente e posso falar de vivência pessoal. Outro grupo de ulterior matéria são as crianças abandonadas. Estas podem-se considerar aquelas deixadas á própria sorte, nas ruas, ou com melhor destino em abrigos ou instituições filantrópicas à espera de famílias adotivas.

Em geral, esses menores, são frutos da pobreza, do analfabetismo, do mundo perverso do tráfico de drogas. Tudo, resultado do desamparo também do Estado, que não oferece nenhum programa digno de planejamento familiar e outras políticas de orientação na prevenção de gravidezes indesejadas.

Torno à questão do abandono de idosos e com estrita mira no papel das famílias. Não há como não se espantar ou indignar-se quando vimos muitos idosos vivendo em condições precárias ou sub-humanas por negligência e descaso de familiares diretos, os filhos em especial. É notório na Medicina e do senso comum que a maioria dos idosos tem propensão a múltiplas doenças. A senilidade por si mesma já implica em severas limitações para o indivíduo em sua rotina diária de se alimentar, locomover, vestir e cuidados de higiene.

Então imaginemos o idoso doente com sequelas de doença degenerativas (reumatismo, artrose, derrame cerebral, demências). Este paciente muitas vezes não necessita de hospitalização e sim cuidados básicos de familiares em seu domicílio: higiene diária, auxílio no banho, alimentação adequada e administração de medicamentos. 

Tem sido frequente idosos doentes mal cuidados e abandonados em suas próprias casas. São considerados um estorvo, um trambolho pelos próprios filhos. Tenho presenciado casos dessa natureza que me causam um certo asco e perplexidade. Isto se torna muito mais grave quando constatamos que são justamente filhos e filhas com plenas condições de oferecer cuidados dignos para os próprios pais, justamente na fase da vida mais frágil do ser humano, a velhice. Parece que estes parentes que abandonam os próprios pais e avós , têm a juventude eterna, não serão idosos amanhã .

Idosos doentes e desamparados. Trata-se de uma realidade dolorosa contra a qual pouco ou nada se pode fazer, já que ela se desenrola no seio da família, ao abrigo da opinião pública e das autoridades. São fatos e cenas muito contundentes e pungentes; saber que filhos e filhas da obrigação de cuidadores se tornam negligentes, omissos e frios ante as necessidades básicas dos pais. Não bastasse este abandono total, muitos desses parentes ainda se apoderam de bens ou salários dos pais em proveito próprio. Uma demonstração de como o ser humano, se renuncia desumanamente, do sentimento protetor ou paternal e se traveste em um canibal, autênticos bestas-feras ou serpentes que matam e devoram as próprias crias. Credo em cruz! Que bicho estranho somos nós, o bicho homem.

Deixo esse alerta para as pessoas em geral. E sobretudo aqueles que têm um parente idoso, carente de cuidados da família. Que sejam também denunciados os casos sabidos , de abandono e maus-tratos , por filhos e filhas que, não apenas sonegam amparo aos pais, mas muita vez, se apoderam até de suas pensões, aposentadorias e outros bens. Aqui já se trata de um caso de policia, de justiça ou de ministério público.

João Joaquim médico cronista do Diário da Manhã

Paz!