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segunda-feira, setembro 16

PSA Depois dos 75 anos.


O valor do PSA no diagnóstico precoce do câncer de próstata é um dos temas mais controversos da medicina moderna.

Michael Barry, da Universidade Harvard, acaba de publicar na revista The New England Journal of Medicine, um artigo no qual questiona a utilidade do exame depois dos 75 anos.

Sem a pretensão de resolver a controvérsia, leitor, vou explicar as dúvidas que cercam esse exame.

O PSA é uma proteína que a próstata libera na circulação. Quando ocorre proliferação de células prostáticas, seu valor aumenta. A subida não indica a presença de câncer (porque prostatites e as hiperplasias benignas que surgem com a idade também aumentam o PSA), mas cria incerteza.

Diante da suspeita, está indicada a biópsia, procedimento geralmente seguro e indolor (quando feito com anestesia geral), porém de custo alto e sujeito a complicações.

A partir dos anos 1990, quando o teste se tornou disponível, ocorreu uma revolução no diagnóstico precoce dessa neoplasia que se instala em um de cada seis homens com mais de 50 anos.

A determinação anual do PSA permitiu detectar a doença cinco a dez anos antes das manifestações clínicas. Muitos homens estão vivos graças à existência do exame.

Agora, vamos aos problemas criados por ele:

1) a velocidade de crescimento do câncer de próstata é imprevisível: há tumores de alta agressividade que se disseminam em dois ou três anos, outros que levam mais de dez anos para fazê-lo e outros, ainda, que jamais o fazem;

2) à medida que o homem envelhece, o PSA tende a aumentar. Com isso, os mais velhos se tornam candidatos preferenciais às biópsias e suas complicações;

3) dada a lentidão de crescimento de muitos tumores, a expectativa de vida da população testada precisa ultrapassar dez anos para que o benefício do diagnóstico precoce se torne mensurável;

4) em cada 100 homens de 75 anos que não fumam, apenas dois irão a óbito por câncer de próstata, enquanto 43 morrerão de outras causas, nos dez anos seguintes;

5) o diagnóstico depois dos 75 anos, eventualmente, conduz a tratamentos cirúrgicos, radioterápicos e hormonais, cujas consequências e complicações podem ser bem piores do que as causadas por tumores de crescimento lento;

6) por outro lado, 70% das mortes por câncer de próstata acontecem depois dos 75 anos de idade. A maioria como consequência de tumores que começaram a crescer bem antes.

Como colocar ordem nessas informações?

Embora os dados falem a favor de realizar o exame uma vez por ano, a partir dos 50 anos de idade (ou antes naqueles com parentes de primeiro grau que tiveram a doença), a balança do risco-benefício pende para o lado do risco depois dos 75 anos.

Como nos mais velhos, existe uma relação direta entre a expectativa de vida e a avaliação que cada um faz de seu próprio estado de saúde, Michael Barry sugere a estratégia que resumo abaixo:

1) Homens de 65 anos que definem sua própria saúde como “precária”; homens com 70 que a consideram “razoável”; e aqueles com 75 ou mais que a avaliam como simplesmente “boa”, apresentam expectativa de vida de aproximadamente 10 anos. Nesses casos, a conveniência do teste anual seria no mínimo discutível;

2) Já nos homens de 75 anos ou mais, que definem seu estado de saúde como “excelente”, o acompanhamento do PSA estaria indicado.

É importante deixar claro que essas discussões em torno da conveniência ou não de acompanhar o PSA, levam em conta o risco-benefício da aplicação em massa do teste.

No plano individual, é evidente que cada caso deve ser discutido isoladamente. Um homem de 85 anos ou mais, que deseja continuar acompanhando seu PSA, deve fazê-lo, mas precisa ser informado das desvantagens que o exame pode trazer.

O PSA é um exame importante que reduz a mortalidade por câncer de próstata, mas sua repetição em intervalos anuais não beneficia todos os homens.

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