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terça-feira, março 11

Medicação pode curar perda de memória em idosos

O que é mesmo que eu estava fazendo? Ah, é verdade. Eu estava começando a escrever um artigo sobre a perda gradual, e natural, de memória. (Não, não é uma desculpa: o processo é realmente natural.)

O corpo humano, de uma maneira geral, obedece a uma regra universal muito simples: quanto mais você usa alguma coisa, quanto mais você gasta um recurso, mais ele vai ficando escasso. Até que uma hora pode até acabar.

Por isso, é normal a gente ver em nossos pais, avôs e tios pequenas falhas de memória que vão sendo cada vez mais frequentes com o tempo. Perguntas como “o que eu vim fazer aqui mesmo?”, “onde é que eu deixei as chaves do carro?”, “qual é mesmo o nome daquela moça?” começam a se tornar parte da rotina.

Mas se isso era inevitável, a história acabou de mudar.

O tipo de memória que é responsável por guardar informações por curtos períodos de tempo é chamada de “memória de trabalho”, ou “memória de curto prazo”. Essa memória se baseia em um equilíbrio de substâncias químicas no cérebro. Segundo um estudo desenvolvido pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, esse equilíbrio químico é deslocado em adultos mais velhos com o passar do tempo, e a memória de trabalho diminui. A razão disso poderia ser porque o cérebro passa a produzir muitas substâncias que reduzem a atividade neural.

As células que normalmente freiam essa atividade são chamadas de GABA, que é um neurotransmissor inibitório. Apesar de parecerem vilões nessa história toda, elas são essenciais para o bom funcionamento do cérebro. Sem GABA, as células cerebrais poderiam se tornar muito ativas – nosso cérebro ficaria semelhante ao cérebro de pessoas com esquizofrenia e epilepsia. De acordo com o professor de psiquiatria e neurociência Barry Setlow, um nível normal de GABA ajuda a manter os níveis ideais de ativação celular.

Para determinar o culpado pelo declínio da memória, os pesquisadores fizeram um teste com ratos que tinham que lembrar a localização de uma alavanca em curtos períodos de tempo, de até 30 segundos. Assim, os cientistas descobriram que tanto ratos novos quanto velhos cumpriam bem a tarefa. Mas quando o período de tempo era prolongado, os ratos velhos tinham dificuldades. Não todos, assim como nem todos os adultos mais velhos têm problemas de memória.

O estudo mostrou, então, que os ratos mais velhos com problemas de memória tinham mais receptores GABA em seus cérebros, e que os cérebros de ratos idosos que não tinham problemas de memória podiam compensar esse sistema inibidor. Ou seja: eles eram capazes de produzir menos receptores de GABA. Logo, a grande culpada é na verdade a alteração dos níveis de GABA.
O medicamento 
Todos esses experimentos resultaram na fabricação de um medicamento que, após concluída a fase de testes, poderá ser usado em humanos para evitar a perda de memória – não em pessoas com Alzheimer ou outras doenças do tipo, mas em pessoas que têm problemas em lembrar pequenas informações do dia a dia. Sua função é justamente bloquear os receptores GABA para resgatar a memória de trabalho da juventude, imitando o funcionamento do cérebro dos ratos mais velhos que não têm problema de memória.

A medicina moderna tem feito de tudo para que a gente viva por mais tempo. E com isso, vem o desafio de fazer com que a gente consiga viver esse “mais tempo” com mais qualidade também. Iniciativas como esta são um bom indício de que, em breve, esse sonho da medicina será realidade.

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